Busca

historiadoresbr

História das Religiões no Brasil: da aceitação das religiões Africanas até o Protestantismo

Edvaldo Batista de Sousa Filho

 

A inserção das novas religiões não só no Brasil, mais também no mundo, se deu de forma extremamente conturbada, com vários conflitos e recriminações por grande parte da sociedade. Como nunca é fácil aceitar o “novo”, a aceitação das práticas dessas religiões foi muito difícil, pois a população estava presa a “velha” Igreja Católica que dizia o que iria acontecer ou não naqueles tempos, ou seja, era tudo imposto pela ordem dessa Igreja. A Igreja Católica era quem realmente ditava as regras para a sociedade, chegando a abusar da fé e da crença que as pessoas tinham nela, um grande exemplo disso é a pregação que as pessoas teriam que pagar para terem um lugar no céu, a conhecida Venda de Indulgências, entre outros exemplos.

Para iniciar a exposição dessa problemática usaremos como base alguns estudiosos. Os textos a serem usados nesse ensaio serão “O sincretismo afro-católico: a solução de um trauma” escrito por Sergio Vasconcelos, “Católicos e Protestantes no Brasil no século XIX” e “Embates da fé: Conflitos entre Católicos e Protestantes no Recife nas décadas de 1860 – 1880” ambos do Mestre em Ciências da Religião Jair Gomes de Santana, sendo este último a sua dissertação de mestrado. Além desses textos também falaremos um pouco sobre a doutrina das religiões espiritualistas e a aceitação destas no Brasil. Esses movimentos começaram a ganhar força a partir do momento que ganharam apoio dos que estavam descontentes com a Igreja Católica, nesse caso o movimento Protestante. Já os movimentos das afro-religiões teve apenas o apoio dos escravos e de alguns senhores de engenho que nesses seus cultos viam uma forma  “sensual” que era utilizada e com isso pensavam justamente na procriação dos escravos para gerar filhos que futuramente serviriam de mercadorias para eles, ou seja, eles tinham interesses que iam muito além do cultural, eles tinham interesses financeiros.

Os senhores-de-engenho permitiam aos seus escravos reunirem-se para festejarem aos domingos, dias santos e feriados. Eles não faziam por benevolência frente à situação dos escravos, mas puramente por interesses de ordem econômica… o interesse da multiplicação da mão-de-obra escrava, pois os senhores viam, nos movimentos e nas danças africanas uma forma de excitação sexual e incentivo à procriação [1].”

Frente a esse motivo segundo Vasconcelos, vemos que os senhores-de-engenho só apoiavam as danças e festas, pois eles tinham interesses financeiros que eles acreditavam que viria depois dessa prática, mas mal sabiam eles que essa era uma prática de extrema importância para esses escravos negros, pois além de ser uma forma de se divertirem, eles também cultuavam suas divindades e praticavam as suas crenças dentro daquelas danças e músicas cantadas ao redor da fogueira.

Mas o que parecia exótico e festivo aos olhos dos portugueses era na verdade a expressão da experiência religiosa profunda. Ao redor do fogo, cantando e dançando, dançavam e contavam estórias dos mitos constitutivos da sua alma coletiva mais profunda, portadores dos valores e sentidos fundamentais para as suas existências. Era a memória coletiva que era revivida e fortalecia o desejo de libertação [2].

 

As práticas religiosas africanas eram tidas como práticas diabólicas, feitiçarias, superstição e mais recentemente como sincretismo, elas foram extremamente reprimidas e combatidas pelos missionários da Igreja Católica[3], que logicamente seriam contra qualquer prática religiosa a não ser a do catolicismo, pois, no caso o Brasil, era um país fielmente Católico e que não abria espaço para outras formas de demonstrações e práticas religiosas, mesmo que fossem de culturas diferentes. Ao chegarem ao Brasil, os negros e negras transportados da África eram enviados aos mercados e de lá vendidos, sem que as pessoas pertencentes à mesma família ou grupo étnico fosse levado em conta no momento da venda dessas pessoas. Isso até era uma forma de organização e de precaução, pois essas pessoas de mesmo clã ou determinado grupo poderiam proporcionar grandes rebeliões dentro dos latifúndios onde viviam, por isso era importante desarticular e separar pessoas que tivessem qualquer tipo de vínculo umas com as outras.

Esses escravos só puderam começar a cultuar suas divindades a partir da segunda metade do século XIX, nos centros urbanos, que inicialmente nas suas próprias casas vão reestruturar coletivamente a sua religião, como hoje é vivida e celebrada, nos terreiros de Candomblé, que desempenhou um papel importante no desenvolvimento e disseminação dessa cultura. O desenvolvimento desse culto coincide com o processo de urbanização no Brasil, pois ele começou a surgir nos principais centros urbanos do Brasil Colonial. Uma grande prova disto é que se tem datação e registro dos primeiros terreiros de Candomblé, que foram construídos nas cidades de Salvador da Bahia e em Recife. O culto dentro desses terreiros era baseado nas crenças dos Orixás, que estão ligados a um determinado clã, vila ou cidade, são celebrados por todo um grupo social. Como as pessoas de determinados clãs ou vilas eram separados por questão de precaução, as crenças foram se unindo em um único território fazendo com isso a unificação das crenças, algo que era inédito para aquele povo, e reestruturando o terreiro de Candomblé.

Os vários templos espalhados na África dedicados aos Orixás, encontram-se reunidos em um mesmo espaço geográfico com uma profunda transcendência mística: o terreiro de Candomblé” [4].

Essa disseminação da cultura houve por causa de pessoas de diferentes tribos ou clãs que constituíam e viviam no mesmo espaço, criando uma religião unificada para eles. A Igreja Católica como sempre reprimiu o culto a essas divindades chamadas de Orixás, porém apareceu uma denominação que ocorreu a partir do momento que os escravos acharam algumas semelhanças na religião Católica e no Candomblé, o chamado Sincretismo Afro-Católico. Para falarmos um pouco disto devemos saber o significado da expressão Sincretismo Religioso, essa prática se constitui no indivíduo religioso que tende a fundir numa só várias doutrinas diferentes, ou seja, o ecletismo religioso. Os membros de um terreiro de Candomblé, na sua grande maioria, consideram-se católicos, porém também membros da comunidade religiosa do Candomblé, vale ressaltar que esses dois sistemas religiosos não são vividos como unidade, ou seja, não são fundidos[5]. Um grande exemplo que pode se mostrar no sincretismo religioso, mais precisamente no Afro-Católico, é o do Orixá Iansã ou Oiá, que é a Deusa do rio Níger no Candomblé, ela se assemelha a Santa Bárbara que é a Rainha das Águas. Além dela a outras santas católicas como: Nossa Senhora da Conceição que é tida também como o Orixá Iemanjá, e Nossa Senhora da Glória.

Outro grande momento das religiões foi à inserção dos Protestantes no Brasil, que também foi extremamente reprimido pela Igreja Católica. O catolicismo foi implantado no Brasil e era sua religião oficial nos tempos de colônia, pois Portugal era um país unicamente Católico, e que não abria espaço para outros cultos. Hoje em dia quando pensamos na tradição católica do Brasil, pensamos logo em sua hegemonia, ou seja, é algo que é supremo em determinado local. Jair Santana mostra em seu texto, com uma citação de Oscar Figueiredo Lustosa, que não era bem assim no século XIX com a Igreja Católica no Brasil, pois ela estava em crise.

A necessidade de pôr um paradeiro ao ritmo de decadência que atingia a Igreja em todos os setores de sua organização e de sua pastoral impunha-se como imprescindível e urgente aos olhos daqueles que viam e analisavam a situação eclesiástica sem partidarismo[6].

A crise se ligava a “desagregação da herança colonial”, ou seja, o Brasil estava se desprendendo dos valores que os colonizadores tinha lhe imposto, e um deles era o culto religioso apenas do catolicismo, que por sua vez reprimia toda e qualquer forma de manifestação ou culto religioso que houvesse. As mudanças foram ocorrendo de acordo com os movimentos sociais que foram acontecendo no decorrer dos anos, como o Iluminismo, Revolução Francesa entre outros. Como sabemos a religião tem que se adequar a sociedade, de acordo com as mudanças que ocorrem no decorrer dos anos, ou seja, ela não pode ficar estagnada nem ligada a vínculos do passado, ela simplesmente tem que se adequar de acordo com a sociedade. Com a mudança de pensar e agir da população mundial tudo foi sofrendo mudanças, o que não iria ser diferente com o catolicismo, que por já está em crise após sua ruptura com Constantinopla, também sofreu com rebeliões e revoluções que acabaram por reivindicarem a adequação dessa religião aos valores legais e também a sociedade da época. Isso desencadeou a chamada Reforma Protestante, que foi iniciada por Martinho Lutero um que foi um sacerdote católico alemão. Ele ficou contra os conceitos da Igreja Católica veementemente contestando a alegação de que a liberdade da punição de Deus sobre o pecado poderia ser comprada, com isso ele confrontou a venda de indulgências  com suas 95 Teses em 1517, estas que mostravam onde estavam os erros que eram passados pela Igreja Católica nos seus ensinamentos. Após o Papa solicitar que ele desmentisse tudo aquilo que havia falado, ele se negou e isso se resultou na sua excomunhão e foi nomeado como fora-da-lei pelo imperador romano. Esse foi o grande inicio da Reforma Protestante, que logo após isso, com a invenção da imprensa e com a mudança da forma de pensar das pessoas, viria a atingir outras regiões que também se tornariam focos da reforma, como por exemplo, o “Calvinismo” por João Calvino em Genebra e o “Anglicanismo” pelo Rei Henrique VIII da Inglaterra.

Com à proporção que essas reformas tiveram, chegaram os ideais ao Brasil, que duramente foi criticado e reprimido pelo poder que a Igreja Católica tinha sobre o país. Mas um pouco mais a frente o Brasil tomou novos rumos políticos, a abertura dos portos é um fator muito grande para que esse protestantismo fosse pregado no Brasil. Os ingleses que tinham um acordo com o país, o que foi fundamental para o emprego da Reforma Protestante no país, mostrando que a Igreja Católica pregava coisas quem não eram corretas.

… o catolicismo brasileiro assumiu nos primeiros séculos de sua formação histórica um caráter obrigatório. Era praticamente impossível viver integrado no Brasil sem seguir ou pelo menos respeitar a religião católica[7]”.

Um dos fatores que levou a Igreja Católica a tamanho desenvolvimento e respeito foi à inquisição que os portugueses instauraram aqui no Brasil.

A inquisição ajudou poderosamente a formar (ou deformar) a consciência católica no Brasil, criando a impressão d que todos são católicos da mesma forma, obedecendo às mesmas normas e lutando contra os mesmos inimigos[8]”.

O clima entre o povo e a igreja estava esquentando, pelas denuncias feitas e que os denunciados, mesmo que estivessem atrasados no trabalho. Além disso, Jair afirma em sua dissertação de mestrado sobre esse assunto, que foi muito conturbado aquela época em Recife: “o clima de medo criado pelas denuncias, visitações, deportações, repressões e confiscos, teria levado os brasileiros a reagir de maneira inteligente, criando o que Hoornaert chama de catolicismo ostensivo, praticado em lugares públicos, bem pronunciado e  cheio de invocações ortodoxas a Deus, Nossa Senhora, os santos: Todos tinham que ser muito católicos para garantir a sua posição na sociedade, e não cair na suspeita de heresia”[9]. Vemos claramente quando Jair afirma que o caos que se instaurou foi tanto que as pessoas estavam indo as ruas para mostrar que são católicos e não serem confundidos ou até mesmo deportados para fora do Brasil. Com isso aprende-se que todos deveriam ter muito cuidado quando o assunto está tratando de religião. Como a necessidade do povo era tamanha, além de mostrar sua fé católica, o povo acabava indo nas paróquias e irmandades pedir coisas como dinheiro emprestado, empregos, pois as irmandades eram associações civil-religiosas de leigos, que se organizavam para fins piedosos ou caridosos, outras dessas tinham caráter corporativo e haviam outras que se reuniam apenas negros, um grande exemplo disso são as Santas Casas de Misericórdia que serviam como hospitais, estas eram construídas e administrada por irmandades. Isso levou a uma necessidade das pessoas a procurarem instituições religiosas, pois achavam que elas tinham como dever atender o pedido delas.

Através dos conventos, das paróquias, das irmandades e confrarias formou-se uma sociedade na qual ninguém escava à necessidade de apelar para instituições religiosas: para conseguir emprego, emprestar dinheiro, garantir sepultura, providenciar dote para a filho que queria casar-se, comprar casa, arranjar remédio”[10].

 

As irmandades acabaram por influenciar grande parte da população urbana e rural daquela época. O tempo foi passando e a insatisfação com a Igreja Católica e suas medidas foi também aumentando. Eis que chega o protestantismo no Brasil, ou melhor, os protestantismos.

Na época a Igreja Católica aparecia como uma unidade institucional única, com isso o protestantismo nasceu com o apoio da massa mais diversificada que existia aqui em Pernambuco, pois como sabemos existiam várias outras formas de religiões. Na Constituição do Brasil de 1824 havia uma brecha que dava certa tolerância a outras religiões, baseado nisso foi se instalando aqui uma cultura protestante, como os anglicanos vindos da Inglaterra e Luteranos, estes últimos em maior número. Essa vinda de protestantes no inicio não atrapalhou a vida dos brasileiros ou luso-brasileiros no Brasil, pois eles se instalavam e viviam em colônias próprias deles. Essa realidade mudaria com a chegada dos primeiros missionários norte-americanos, pois eles começaram a sair pregando e mostrando sua religião a todos, o que pela Constituição era repudiado, e consequentemente atrapalhou a vida de muitos habitantes daqui. Mas não foi apenas de críticas que esse movimento sofreu, eles tiverem grande apoio da elite, pois esta recebeu os missionários como arautos do liberalismo e do progresso. Uma das grandes características do protestantismo é que toda e qualquer forma de lucro, o individuo consegue por uma obra divina, ou seja, se ele tem mais do que necessita para sobreviver é uma dadiva divina dizendo que ele foi o merecedor daquilo, coisa que não acontecia na Igreja Católica, que falava que todos deveriam ter apenas o necessário para sobrevivência, todo o resto era direcionado a Deus, ou seja, a Igreja Católica.

Com a primeira chegada desses missionários, outros também começaram a se instalar no Brasil, as Igrejas Metodistas, Congregacional, Presbiteriana e Batista. Uma grande característica do protestantismo brasileiro é que ele é uma projeção do protestantismo norte-americano, que por sua vez resultou da emigração dos Europeus eu seu território. A doutrina protestante teve um grande sucesso aqui no Brasil, pois foi aceita e apoiada pela elite brasileira. Com seu caráter liberal os protestantes acabaram ganhando a graça de boa parte da população do Brasil, acabando assim com o total controle da Igreja Católica sobre o Estado Brasileiro, mesmo que segundo alguns estudiosos, a Igreja Católica ainda continuasse sendo a principal Igreja.

Outro ponto que também acabou em repressão por parte da Igreja, foi à inserção das Religiões espiritualistas no Brasil ou doutrinas espiritualistas como chamam alguns estudiosos, que a partir da mediunidade das irmãs Fox nos EUA começou a se disseminar. O espiritismo e a umbanda, por exemplo, não são religiões cristãs porque elas não aceitam Cristo como Deus, que se encarnou e foi chamado de Jesus de Nazaré. Era tida como uma exibição moderna do fetichismo africano, que não era agradável ensinar a uma pessoa, aos olhos da Igreja, o pioneirismo dessas doutrinas aconteceu na Bahia. Em 1869, em Salvador, iniciou-se a publicação da revista “O Écho d’Alêm-Tumulo“, além desse assunto também ter espaço em jornais como, por exemplo, o Diário da Bahia e o Jornal do Commercio. No Brasil, um dos precursores do espiritualismo universalista foi o filósofo e educador catarinense Huberto Rohden que foi o tradutor do Novo Testamento. O espiritualismo universalista expandiu-se na década de 1990. O principal fenômeno cultural é a Voadores, que é a maior lista de discursões sobre o assunto do mundo. Outra figura muito conhecida é o Chico Xavier, que foi um importante médium brasileiro, que ganhou notoriedade após a publicação de vários livros psicografados como Nosso Lar, Paraiso de Além-túmulo entre outros. Chico teve tamanha notoriedade no Brasil, que no ano de 2010, ano que Chico Xavier completaria 100 anos se estivesse vivo, foi lançado um filme baseado na biografia “As vidas de Chico Xavier” do jornalista Marcel Souto Maior, que conta a história de vida do médium, onde mostra toda a vida dele e todos os tipos de repressão que ele sofreu por ter contato com a doutrina espirita. Filme este que teve tamanha aceitação do público, 3,5 milhões de pessoas assistiram, onde mostra que hoje o culto a outras religiões e ensinamentos é totalmente permitido, além de mostrar que a soberania católica sobre o Estado acabou, mesmo que a maioria das pessoas do país cultuassem o catolicismo.

Referências Bibliográfica

VASCONCELOS, Sergio Sezino Douets. O Sincretismo afro-católico: a solução de um trauma. págs. 293 a 320; livro: “História das Religiões no Brasil” org.: Sylvana Brandão; ed. Universitária da UFPE, 2004.

SANTANA, Jair Gomes. Católicos e Protestantes no Brasil no século XIX. Cap. 06, págs.: 161 a 176; livro: “Fragmentos de Histórias do Nordeste” org.: Kalina Vanderlei Silva; Rômulo Xavier Nascimento; Maria do Carmo Barbosa de Melo; ed. Edupe – Recife, 2012.

SANTANA, Jair Gomes. “Embates da fé: Conflitos entre Católicos e Protestantes no Recife nas décadas de 1860 – 1880, 2007.

WILGES & COLOMBO. “Cultura Religiosa Vol. II – temas religiosos atuais. 5ª edição; ed.: Vozes – Petrópolis-RJ 1985.

[1]VASCONCELOS, Sergio Sezino Douets. O Sincretismo afro-católico: a solução de um trauma; livro: “História das Religiões no Brasil” org.: Sylvana Brandão; ed. Universitária da UFPE, 2004. pág.; 298.

[2] VASCONCELOS, Sergio Sezino Douets. O Sincretismo afro-católico: a solução de um trauma; livro: “História das Religiões no Brasil” org.: Sylvana Brandão; ed. Universitária da UFPE, 2004. pág.; 298.

[3] VASCONCELOS, Sergio Sezino Douets. O Sincretismo afro-católico: a solução de um trauma; livro: “História das Religiões no Brasil” org.: Sylvana Brandão; ed. Universitária da UFPE, 2004. pág.; 294.

[4] VASCONCELOS, Sergio Sezino Douets. O Sincretismo afro-católico: a solução de um trauma; livro: “História das Religiões no Brasil” org.: Sylvana Brandão; ed. Universitária da UFPE, 2004. pág.; 306.

[5] VASCONCELOS, Sergio Sezino Douets. O Sincretismo afro-católico: a solução de um trauma; livro: “História das Religiões no Brasil” org.: Sylvana Brandão; ed. Universitária da UFPE, 2004. pág.; 308

[6] SANTANA, Jair Gomes. Católicos e Protestantes no Brasil no século XIX. Cap. 06, pág.:161; livro: “Fragmentos de Histórias do Nordeste” org.: Kalina Vanderlei Silva; Rômulo Xavier Nascimento; Maria do Carmo Barbosa de Melo; ed. Edupe – Recife, 2012.

[7] SANTANA, Jair Gomes. Católicos e Protestantes no Brasil no século XIX. Cap. 06, pág.:163; livro: “Fragmentos de Histórias do Nordeste” org.: Kalina Vanderlei Silva; Rômulo Xavier Nascimento; Maria do Carmo Barbosa de Melo; ed. Edupe – Recife, 2012.

[8]  Idem.

[9] SANTANA, Jair Gomes. Católicos e Protestantes no Brasil no século XIX. Cap. 06, pág.:164; livro: “Fragmentos de Histórias do Nordeste” org.: Kalina Vanderlei Silva; Rômulo Xavier Nascimento; Maria do Carmo Barbosa de Melo; ed. Edupe – Recife, 2012.

[10] Idem; pág.: 165

A História do Movimento LGBT

Por: Bruno Ferreira

O movimento em defesa dos homossexuais surgiu na Europa no século passado, tendo como bandeiras a defesa dos direitos e o respeito a homossexuais e o reconhecimento perante leis dos direitos civis. Durante a segunda guerra o Nazismo política de Hitler  matou mais de 300 mil pessoas que eram gays.

No dia 28 de junho 1969 marca a data do movimento gay pelo mundo neste dia gays que estavam no bar Stonewall na cidade de Nova York rebelaram contra a perseguição feita por policiais por causa disso o movimento o dia 28 é o dia internacional do orgulho gay e lesbico.

No Brasil o movimento organiza através do jornal lampião  que surgi em 1979 o primeiro grupo de homossexuais organizados e a partir daí espalha-se pelo Brasil no ano de 1980 é realizado na cidade de são Paulo o primeiro encontro brasileiro de homossexuais ao longo dos anos o grupo de gays espalham pela America latina e ganha o mundo.

Esse grupos de homossexuais são reuniões onde os seus membros discutem a perseguição e discriminação aos gays, alem de funcionaram como grupo de apoio no processo individual de cada homossexual na conquista de sua auto-estima e divulgando meios para evitar doenças sexualmente transmissíveis.

Em 20 anos de existência do grupo o movimento homossexual  apesar de contar com poucos recursos materiais, obteve a importante vitorias e reconhecimento de direitos nas últimas décadas no Brasil e no mundo, a sigla passou nos últimos anos de GLS para GLBT –   Gays, Lésbicas, BissexuaisTravestisTransexuais e Transgêneroshoje vemos em diversas cidades do mundo passeatas que são chamadas de paradas gays para a conscientização e chamada de atenção da sociedade para os problemas que os gays sofrem a respeito de sua orientação sexual, mas historicamente o gay ou homossexual sofre discriminação durante séculos e em varias sociedades homossexuais eram reprimidos com forte torturas ou ate mesmo a morte, porem em outras o gay é aceito como um individuo bem vindo.

Portanto vemos que o movimento gay organizou-se nas ultimas décadas devido a  discriminação sofrida por séculos pessoas enfrentaram a ordem estabelecida e colocaram essa bandeira na busca de direitos civis e individuais hoje apesar dos avanços em muitas partes do mundo pais como Ira ainda perseguem e matam homossexuais.

Read more: http://historiabruno.blogspot.com/2013/06/a-historia-do-movimento-lgbt.html#ixzz3giomFFZG

“A dupla revolução: análise da Revolução Francesa e da Revolução Industrial na Inglaterra”

Adriano Nascimento Araújo Filho

Edvaldo Batista de Sousa Filho

Revolução

No que diz respeito ao saber historiográfico, Revolução é um dos poucos conceitos das ciências sociais e políticas cujo significado não é controverso, apresenta uma forma única, o que pode mudar o sentido de tal conceito é a maneira como esse é aplicado. De acordo com Hector Bruit Revolução é como um fenômeno político-social de grandes mudanças sociais. De modo que Revolução pode ser tida como um processo traumático, pois acaba movimentando a sociedade do seu estado natural, promovendo uma mudança na estrutura social da mesma.

 Sendo assim, Revolução vai possuir um valor diferente para os contemporâneos de suas mudanças, a luta entre as classes vai promover ideais diferentes de como lidar com a mesma. Em todo caso atualmente o conceito, a palavra: Revolução é ou ao menos vem sendo aplicada para designar alterações contínuas ou súbitas que ocorrem na natureza ou na cultura. Sabemos que na História nada surge de uma hora para outra, que a história não se constrói por fatos isolados, e sim por um conjunto de acontecimentos que em larga escala geram influencias futuras. É difícil para o homem lutar contra seu estado normal, enfrentar seus fantasmas, o passado é presente, toda mudança abrupta traz reflexões para o homem e só a partir dessas reflexões é que se pode compreender a realidade vivida.

Buscaremos promover um dialogo entre o uso do termo Revolução pelo historiador Eric Hobsbawn, que aplica tal terminologia para configurar os ideais de um momento impar da história. O século XIX segundo o historiador inglês vai ser marcado por uma dupla revolução, uma vez que ambas ocorreram, simultaneamente modificando tanto o quadro político como econômico.

Uma revolução dita as suas leis, os seus limites e o que ela extingue ou não tolera. Ambas as revoluções, tanto inglesa quanto a francesa abrem, rasgam os padrões de suas sociedades, promoveram uma série de mudanças que reformaram não apenas França e Inglaterra, com o tempo elas reformulam o modo de vida do mundo. A Revolução Inglesa vai representar uma ruptura tecnológica e produtiva, uma renovação tão forte que só pode ser comparada com a Revolução Neolítica. Já a segunda, a Revolução Francesa representou um grande corte na estrutura social europeia, ela põe fim no Antigo Regime.

“A dupla revolução: análise da Revolução Francesa e da Revolução Industrial na Inglaterra”

O livro “A Era das Revoluções: 1789 – 1848” de Eric Hobsbawm trata de um período de grande crescimento material, intelectual e social de toda a população mundial. Esse período que Hobsbawm aborda vai da Revolução Francesa iniciada em 1789 até 1848, ano em que ocorreram diversas manifestações e vários focos de revoltas e revoluções, deixando assim uma marca histórica nesse tempo pelo acontecimento e mudanças em diversos aspectos sociais, políticos e econômicos. Os grandes destaques são a Revolução Industrial ocorrida em terras britânicas em seus estágios iniciais e desenvolvimento, assim como a Revolução Francesa. Para tratar desses dois grandes acontecimentos, Hobsbawm passa a chama-las de “Dupla Revolução”. A partir dessa analise ele começa a mostrar o que esses de tais acontecimentos trouxeram como reflexo para o mundo contemporâneo e que alguns duram até hoje, não apenas na França e Inglaterra, mais sim no mundo inteiro. Outro estudioso que vale mostrar em conjunto com o estudo de Hobsbawm é Albert Soboul que logo no inicio de seu livro, “História da Revolução Francesa” cita em sua análise uma coisa que virá a ser importante para compreender como foi o mundo nesse período, e o porquê tem a denominação de dupla revolução.

A Revolução Francesa constitui, com as revoluções inglesas do século XVII, o coroamento de uma longa evolução econômica e social que fez da burguesia a senhora do mundo”.[1]

De acordo com Hobsbawm, o livro é dividido em duas partes. A primeira trata do desenvolvimento histórico entre um acontecimento e outro, no caso entre a dupla revolução já a segunda parte diz respeito à construção da sociedade a partir desses acontecimentos. Hobsbawm propõe neste livro que seja construída uma interpretação dos fatos e acontecimentos conforme vão sendo analisados minuciosamente. Ele também propõe que isso seja visto da perspectiva de mudança do mundo, da modernidade e do pensamento sócio-político-econômico que foi sendo adquirido pelas pessoas.

Eric começa apresentando o mundo da época como “maior” e “menor”, se formos comparar o mundo atual com o mundo antigamente. O que ele tenta chamar de “menor” é devido à população, a estrutura física do homem naquela época brutalmente inferior a dos dias de hoje. Já o sentido de “maior” é que o mundo era grande por causa das diversas barreiras nas comunicações e a deficiente mobilidade dos seus habitantes entre as regiões, sendo por estradas ou por mar. Ou seja, tendo em vista a uniformidade dos acontecimentos e juntando a isso o conhecimento que as informações chegavam através de nômades, mensageiros e até mesmo de viajantes, pois existia a ausência de jornais, e mesmo se existissem seria muito difícil de serem passadas as informações, pois o analfabetismo era comum nessa época, ou seja, só os que tinham um poder financeiro maio poderiam ter o privilégio de aprender a ler. Além disso, devido também a falta de mobilidade e até mesmo pela vida militar, morriam no mesmo lugar de nascimento, com isso observamos o quão difícil era os meios de locomoção e de comunicação entre as pessoas de diversas regiões, principalmente as mais remotas. O próprio Hobsbawm afirma em seu livro a grande dificuldade de comunicação entre regiões, mesmo que sejam umas perto das outras, como podemos ver nesse trecho do livro “A Era das Revoluções”:

“A noticia da queda da Bastilha chegou a Madri em 13 dias; mas em Pé-ronne, distante apenas 133 quilómetros da capital francesa, “as novas de Paris” só chegaram no final do mês.[2]

O autor do livro mostra que não poderíamos imaginar esse nosso mundo contemporâneo e o mundo moderno sem algumas palavras, que só foram realmente ganhar sentido e significado a partir dessa época de revoluções e de grande desenvolvimento de toda a sociedade. Algumas dessas palavras são “indústria, industrial, capitalismo, classe operaria, nacionalidade, jornalismo, ideologia” entre muitas outras. Hobsbawm indica que essas palavras eclodiram com as revoluções que vieram a acontecer a partir de 1789 e que elas constituem uma das maiores transformações da humanidade, pois elas vieram junto com os acontecimentos, como por exemplo, a palavra indústria que veio juntamente a revolução industrial que ocorreu na Inglaterra, esse foi um fator que mudou muito a forma de organização da sociedade e da convivência entre as pessoas que nela vivem. Além disso, a revolução industrial e a revolução francesa tiveram como consequência principal o estabelecimento de um domínio do globo por uns poucos regimes ocidentais, ou seja, os mais desenvolvidos dominaram os mais fracos, um grande exemplo disso é a Índia que passou a ser administrada pela Inglaterra, criou-se uma crise nos estados islâmicos. Posteriormente houve a partilha do continente africano, entre outras coisas.

As revoluções que Hobsbawm trata em seu livro chamando de dupla revolução tiveram significados iguais, que era de mudar o modo de vida da população em geral, mas ocorreram de formas e em contextos diferentes. A Revolução Francesa, como o próprio autor diz, teve um cunho bem mais político e a que ocorreu na Inglaterra foi de cunho de desenvolvimento industrial, como o próprio nome do ocorrido já especifica, Revolução Industrial. Sabemos que o a Revolução Francesa foi uma das influências para que a revolução na Inglaterra ocorresse isso se da pelo fato de os territórios serem vizinhos, com isso as informações poderiam ser passadas de forma mais rápida, tendo em vista a dificuldade de comunicação entre territórios naquele período. A Revolução Industrial mesmo tendo se inspirado na revolução ocorrida na França, não teve muito a ver com os ideais da mesma. A Revolução Francesa tinha como slogan principal “Liberté, Egalité, Fraternité” (Liberdade, Igualdade e Fraternidade), lema que numa revolução de cunho capitalista, como foi a industrial, não tem sentindo, pois os indivíduos não seriam iguais principalmente pelo surgimento do modelo de classes, que segundo Karl Marx, surgiu nesse período, e não foi apenas de surgimento, essas classes também foram as que movimentaram e que realmente fizeram essas grandes revoluções, ou seja, a “luta de classes” foi à força que impulsionou as revoluções que ocorreram na história.

A grande revolução de 1789-1848 foi o triunfo não da “indústria” como tal, mas da indústria capitalista; não da liberdade e da igualdade em geral, mas da classe média ou da sociedade “burguesa” liberal; não da “economia moderna” ou do “Estado moderno”, mas das economias e Estados cm uma determinada região geográfica do mundo…”[3].

Na década de 1780 a região da Europa vivia em grande prosperidade e expansão econômica, devido às várias colônias que os países de lá tinham dentro e até mesmo fora da Europa, além dessas colônias os trabalhadores do campo ajudavam cada vez mais essa prosperidade econômica devido ao seu trabalho, que lhes davam pouco retorno, mas dava muita renda para o senhor desses camponeses, ou seja, para o dono das terras onde eles trabalhavam e viviam. Com esse grande crescimento, foi acontecendo à melhoria das estradas e até mesmo a construção de novas, aperfeiçoamento das atividades do correio, que era uma forma de melhorar e agilizar a comunicação entre as pessoas, melhorias dos transportes por água, entre outras coisas. Nessa mesma época nota-se que poucas pessoas da população eram instruídas e dotadas de conhecimentos básicos na atualidade, como a escrita e a leitura, além disso, muitas pessoas viviam abaixo da linha de pobreza e apenas uma parte seletiva da população era detentora de riquezas, estas eram consideradas da sociedade. Um grande fator que confirma essa análise é o número de pessoas que viviam na zona rural, pois este chegou a ser muito maior do que o número de habitantes do ambiente urbano daquela época.

O fim do período da Revolução Francesa é o inicio de uma grande e drástica mudança na sociedade europeia, pois é o mesmo período que marca os primeiros passos para a Revolução Industrial, o inicio do mundo das fábricas, indústrias e das divisões de classes na prática, pois anteriormente não existia essa denominação, que segundo Hobsbawm começa quando são construídas as primeiras redes de ferrovias e vem a se concretizar com a publicação do Manifesto Comunista que foi idealizado pelos dois grandes estudiosos fundadores do socialismo, Karl Marx e Friedrich Engels.

Como Eric Hobsbawm mesmo diz com o título do segundo capítulo de seu livro, Revolução Industrial, foi o “inicio” de um período de drástica mudança na forma da sociedade, desenvolvendo junto com ela classes sociais diferenciadas, trazendo mais desenvolvimento para as pessoas além de facilitar os meios de locomoção naquela época. O avanço da Inglaterra nesse quesito não se deu por eles serem mais inteligentes ou até mesmo mais desenvolvidos na ciência, pois segundo estudiosos, os franceses eram o povo que estavam mais a frente em relação ao povo britânico, pois já produziam as melhores máquinas como, por exemplo, os navios, tendo em vista que nessa época a marinha francesa era uma das melhores e mais temidas de todo o mundo. As mais favoráveis condições para que essa revolução se iniciasse em terras britânicas estavam praticamente explicitas, pois eles eram a nação que já tinham julgado e condenado um rei a mais de um século, o desenvolvimento econômico também estava presente nesse país, pois o governo incentivava as pessoas a arrecadarem e a conseguirem ter lucros, devido à própria religião que já tinha se desligado do catolicismo, esta que condenava lucros e riquezas maiores, pois o homem segundo a Igreja Católica teria que possuir o necessário para viver. Não falavam mais em camponeses quando se tratavam dos britânicos, pois eles já estavam com pensamento de produzir em suas terras o necessário para a vida e também para comércio, onde ali poderiam juntar fundos para produzir mais e ter uma melhor condição de vida. A partir de 1830 os efeitos da Revolução Industrial começaram a ser sentidos fora da Inglaterra, isso não só atingiu a indústria, atingiu todas as áreas do conhecimento humano e até mesmo a cultura de vários povos, além das artes.

A Inglaterra tinha um grande poder de produção agrícola nas suas colônias, em especial na Índia, que foi uma das grandes produtoras de algodão daquela época. Isso fez com que a Grã-Bretanha se tornasse cada vez mais forte economicamente, gerando assim mais fundos para que se iniciasse uma produção em maior escala e futuramente a chamada de fato Revolução Industrial.

“Grã-Bretanha possuía uma indústria admiravelmente ajustada à revolução industrial pioneira sob condições capitalistas e uma conjuntura económica que permitia que se lançasse à indústria algodoeira e à expansão colonial”. [4]

 

Hobsbawm no decorrer de algumas páginas do segundo capítulo de seu livro continua falando sobre a indústria algodoeira e do comércio colonial, este que alimentava a produção, venda e desenvolvimento desta indústria, algodão esse que era produzido na Índia, onde entregavam o “algodão grosso” como Hobsbawm chama, e recebiam em troca roupas feitas com o mesmo algodão que lhes eram fornecidos, só que as roupas eram extremamente superiores aos preços do algodão, com isso já podemos ver um inicio do capitalismo. Dentro de pouquíssimo tempo a Inglaterra aumentou a sua produção de tecidos feitos a base de algodão, em cerca de dez vezes mais. Esses tecidos eram postos como moeda de troca junto a outros países, um grande exemplo que mostra isso foi o Tratado de Methuen, este foi assinado fazendo um acordo entre Inglaterra e Portugal, onde os portugueses se comprometiam a consumir os têxteis britânicos e em troca os britânicos só iriam consumir vinho que tinha origem portuguesa. Com isso vemos que o algodão fornecia possibilidades gigantescas para deixar os empresários privados tentados a se lançarem na aventura de desenvolvimento, ou seja, a revolução industrial. Hobsbawm também afirma que, em 1830, a “indústria”, no sentido moderno, ainda era praticamente exclusiva da área destinada à produção de algodão na Grã-Bretanha.

A indústria algodoeira britânica, como todas as outras indústrias algodoeiras, tinha originalmente se desenvolvido como um subproduto do comércio ultramarino, que produzia sua matéria-prima (ou melhor, uma de suas matérias-primas, pois o produto original era ofustão, uma mistura de algodão e linho) e os tecidos indianos de algodão, ou chita, que conquistaram os mercados que os fabricantes europeus tentariam  ganhar com suas imitações”. [5]

Se o comércio do algodão e dos derivados dele crescia, a economia crescia junto, o mesmo acontecia se o algodão tivesse uma queda, pois juntamente com ele a economia também fraquejava. O progresso da indústria de algodão, entre 1830 e 1840, começou a entrar em declínio, atingindo assim a renda nacional britânica nesse período, isso gerou um grande descontentamento social. As crises da economia eram frequentes nesse período, estas levavam ao desemprego, geravam quedas gigantescas na produção, entre outras, a vida dificultosa dos trabalhadores desempregados era o que mais gerava insatisfação, pois eles já trabalhavam de maneira compulsória, eram mal remunerados e não tinham nenhum tipo de garantia em caso de demissão e até mesmo de acidentes que os invalidassem. Isso deixou grande parte da população da Inglaterra passando por extremas dificuldades.

Continuando o segundo capítulo, é citada a fase da metalurgia, em especial o trabalho que era realizado com o ferro, este ainda permanecia pequeno. A produção de ferro por parte da Inglaterra só tendeu a cair, se comparada à produção mundial, esta não chegou nem a metade do que a França produzia. Já a mineração era um ponto forte, de onde os britânicos retiravam uma grande parte de seus fundos financeiros, pois eles eram grandes produtores de carvão, estudos apontam que nessa época eles eram os maiores produtores de carvão do mundo.  Essa imensa indústria de carvão deu os primeiros estímulos para que fossem desenvolvidos o sistema básico e eficaz, as ferrovias e os transportes ferroviários, que inicialmente utilizavam o carvão como combustível. Eric Hobsbawm dá continuidade dizendo que uma economia industrial significa um brusco declínio proporcional da produção agrícola, ou seja, da atividade nos meios rurais, e um grande aumento da população urbana, um rápido aumento geral da população que implica em um brusco crescimento na produção agrícola, pois a demanda de pessoas nas cidades era muito grande, devido a migração de camponeses para os centros urbanos para trabalharem nas fábricas, com isso a produção agrícola ficou extremamente deficiente.

Outro fator que fez demorar o inicio desta revolução foi a falta de mão-de-obra qualificada para realizar determinadas funções nas indústrias. Todo operário tinha que aprender a trabalhar de uma maneira adequada à indústria, tinham que se adequar a grande e exaustante jornada de trabalho dentro das fábricas, o que era totalmente diferente do trabalhador agrícola ou do artesão. Outro grande problema foi a falta de emprego, pois os patrões ao invés de contratar homens mais fortes e preparados para tais funções, acabavam contratando mulheres e crianças, pois eles eram mão-de-obra mais barata e mais “frágeis”, segundo a sociedade da época. Hobsbawm termina o capítulo afirmando que não só a Inglaterra, e sim também todo o mundo sabia que a revolução industrial, tinha como única norma comprar do mercado mais barato e vender no mercado que desse maior margem de lucro. Isso estava mudando o mundo por completo e como ele mesmo diz “nada poderia detê-la”, ou seja, nada poderia nem pôde deter o capitalismo.

Em seu livro “A Era das Revoluções”, Hobsbawm não poderia deixar de fazer uma análise sobre a Revolução Francesa, que ao ver dele, foi à revolução que impulsionou o mundo a fazer diversas outras, além disso, essa revolução gerou uma grande mudança na organização da sociedade da época e que alguns aspectos dela duram até os dias atuais. Eric chega a chamar no seu livro as duas principais revoluções que na visão dele e de muitos outros estudiosos mudaram o mundo, ele as chamou de “dupla revolução” (Revolução Industrial e a Revolução Francesa).

A França no século XVIII era um país absolutista onde o rei governava com poderes absolutos, ou seja, era ele quem dava as leis e as fazia valer. A população não teria direito algum, pois o rei poderia mandar, dar e tirar poder de onde ele desejasse. O rei controlava a economia, a justiça, a política e até mesmo a religião do seu povo, ou seja, o estado teria uma religião oficial e esta seria a qual o rei fosse um fiel seguidor. A sociedade encontrava-se repartida, pois algumas pessoas concordavam com essa forma de governo do seu rei, ou não, e hierarquizada.

Um evento do porte da Revolução Francesa não foi gerado por um mero conjunto de acontecimentos, de maneira superficial podemos definir tal revolução como fruto da desarticulação de uma sociedade que chegou em um momento de crise. A sociedade francesa passava por problemas em grande parte de suas estruturas. Na economia fica evidenciando uma batalha entre produtor e gerenciador, o grau de desenvolvimento das forças produtivas e a permanência de relações sociais de produção herdadas do período feudal.“… Revolução se explica, em ultima analise por uma contradição entre as relações da produção e o caráter das forças produtivas”[6].

Como explicar ao povo, na época a maior população da Europa que uma maioria esmagadora de sua sociedade vivesse em condições precárias enquanto uma minoria se fazia dona de todo o poder da coroa? Uma hora ou outra o povo abre os olhos, e tal feito se fez realidade na França, Os trabalhadores tinham uma vida miserável e a burguesia almejava uma participação política maior e mais liberdade econômica, mesmo tendo uma condição de vida melhor, a procura por uma realidade melhor promove ou ao menos tenta promover algo semelhante a democracia moderna.

… pois enquanto a sociedade do Antigo Regime se fundamentava na desigualdade entre os homens, surgiu pela primeira vez na história uma revolução que tinha como bandeira a igualdade, a soberania do povo, a liberdade, a ideia de Direitos do Homem.[7]

A difusão dos ideais Iluministas de Liberdade, Igualdade e Fraternidade ajudavam a ascensão da burguesia. A relação entre os cidadãos de uma sociedade dentro da mesma, eram organizadas pelas leis comuns, ainda que as mudanças ocorridas dentro da mesma fossem provocadas pelo próprio povo, e a única maneira de se encontrar equilíbrio em meio aos problemas da sociedade  era dando a todos liberdade de expressão e culto, e proteção contra a escravidão, a injustiça, a opressão e as guerras.

Os progressos do capitalismo, a reivindicação da liberdade econômica, suscitavam sem dúvida, uma viva resistência de parte das categorias sociais presas à ordem econômica tradicional[8]

As causas da Revolução surgem em meio a um déficit publico crônico e ao caos financeiro da França agravado por guerras das quais o país se fez presente. Para resolver os problemas causados por esse déficit pretendeu-se o aumento dos impostos, impostos que já eram responsáveis por uma tributação absurda, vale salientar que os impostos eram responsabilidade apenas do terceiro estado composto por camponeses,artesãos comerciantes e etc. Não bastasse o aumento dos impostos a França ainda enfrentou péssimas colheitas por volta de 1789 acentuando ainda mais a miséria das massas populares urbanas.

Os tributos feudais, os dízimos e as taxas tiravam uma grande e cada vez maior proporção da renda do camponês a inflação reduzia o valor do resto. Pois só a minoria dos camponeses que tinha um constante excedente para vendas se beneficiava dos preços crescentes; o resto, de uma maneira ou de outra, sofria, especialmente em tempos de má colheita, quando dominavam os preços de fome.[9]

 

Jacobinos e Girondinos discordavam sobre o que diz respeito às mudanças nas estruturas do páís, os Jacobinos representavam uma faixa mais radical da revolução, por pertencerem a uma parte menos favorecida financeiramente pela Burguesia, buscavam uma mudança mais profundas entre as estruturas sociais e políticas do país, diferentemente dos Girondinos que não buscavam mudanças sociais tão profundas e sim lutavam em busca do controle do poder político do Estado francês. Marx enfatiza que a exclusividade desse fato histórico: sua velocidade, violência e abrangência. não foram uma revolução comum, mas uma revolução que sacudiu as instituições vigentes e propôs novas instituições e valores ao mundo

A ideologia de uma Burguesia em busca de uma remodelação social, o conjunto de ideias que permeavam boa parte da sociedade francesa propiciava uma mudança geral, ou ao menos uma mudança no polo político do Estado Francês, salientando que Estado aqui seria uma criação dos indivíduos pra controlar os impulsos naturais e egoístas de cada um e possibilitar a vida em sociedade. Tal perspectiva é defendida por Thomas Hobbes, que defende o Estado como uma ferramenta de controle social.

A Revolução francesa pode ser dividida em três partes singulares, o primeiro deles foi a tomada do poder por parte dos Girondinos, o que levaria a formação de uma monarquia constitucional parlamentar. Com o objetivo de limitar o poder monárquico e instaurar um estado liberal, obviamente os ideais inovadores do povo eram contrários aos desejos do rei, é a partir desse fator que a população parisiense vai as ruas e acabam por derrubar a Bastilha, Era 14 de junho de 1789 se dava inicio ao maior processo revolucionário da França.

De fato a contrarrevolução mobilizou contra si as massas de Paris, já famintas desconfiadas e militantes. O resultado mais sensacional de sua mobilização foi a queda da Bastilha, uma prisão estatal que simbolizava a autoridade real e onde os revolucionários esperavam encontrar armas. Em tempos de revolução nada é mais poderoso do que a queda de símbolos. A queda da Bastilha, que fez do 14 de julho a festa nacional francesa, ratificou a queda do despotismo e foi saudada em todo o mundo como o princípio de libertação.[10]

A queda da Bastilha representa a abolição dos privilégios feudais com indenização, permitindo que formasse uma breve ruptura na totalidade dos direitos da nobreza, surge a Declaração dos direitos do homem e do cidadão; Um dos mais impactantes escritos da revolução. “Os homens nascem e são livres e iguais em direitos” primeiro artigo da declaração dos direitos do homem e do cidadão. Tais ideais ganharam força ainda maior com a constituição da Monarquia Constitucional Parlamentar.

Mesmo com a Constituição de 1791 a situação geral da França não inspirava tranquilidade, mesmo sob as ordens da Constituição de 1791 Luis XVI negou-se a aceita-la. Houveram diversas tentativas de derrubar o governo Francês que se estabelecera, a contrarrevolução contou com o auxilio do próprio rei mas o exercito revolucionário conseguiu controlá-la, ao ser descoberto o monarca foi preso e julgado.

A ideologia Burguesa ligada ao fundamento econômico da sociedade se modificava simultaneamente. A decapitação de Luis XVI significou mais do que as constatações de valores da uma monarquia perdida em si, o que fez dela a constestação dos Girondinos e a imposição dos Jacobinos no poder. A instauração de um novo regime representou a promoção do sufrágio universal, a abolição da escravidão nas colônias, ensino gratuito e obrigatório e a reforma agrária.

Embora tivessem grande popularidade no inicio os Jacobinos encontraram grande resistência popular com o período de terror, a perseguição política do período se tornava descontrolada, na tentativa de manter um rígido controle social os Jacobinos acabam isolados devido a pratica radical de sua política.  Por uma nova série de pressões sociais Robespierre acaba sendo retirado do poder e o controle social cai novamente em meio as mãos girondinas.

A ultima fase do processo revolucionário o Diretório, representou o retorno do poder as mãos Girondinas, nele as medidas Jacobinas foram abolidas graças a Constituição de 1795, o Diretório ficou caracterizado por ser a fase mais turbulenta da revolução Francesa pois não se conseguia gerar um equilíbrio entre ambos os ideais, tal fato era agravado devido as tensões sociais e a crise econômica.

A solução encontrada para os problemas sociais franceses foi a nomeação de um homem que tivesse valor comum a ambas as faces da sociedade francesa, objetivo alcançado com o Golpe 18 de Brumário no qual Napoleão Bonaparte chega ao poder.

Podemos afirmar que a consolidação e a difusão dos ideais liberais na Europa, ela foi responsável por inspirar todos os movimentos nacionalistas do século XIX.  A Revolução por essência é repleta de problemáticas, cheia de situações que promovem ambições impares. outra coisa é o avanço de uma linguagem universal, de uma promessa que pôde ser retomada por outras revoluções.

Referências Bibliográficas:

SILVA, K. V. SILVA, M, H. Dicionário de conceitos históricos 3.ed. – São Paulo: Contexto, 2010 P

SOBOUL, Albert. História da Revolução Francesa. Rio de Janeiro, Zahar Editores, Trad. Hélio Pólvora, 2ª edição 1974. Pág.

HOBSBAWM, E. J. A Era das Revoluções (1789 – 1848). Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2009.

CHAUÍ, M. S. O que é Ideologia. São Paulo, Editora Brasiliense.

BOBBIO. Norberto. Dicionário de Política Volume II. Brasília, Editora Universidade de Brasília, 11ª Ed. 1998

[1] SOBOUL, Albert. História da Revolução Francesa. Rio de Janeiro, Zahar Editores, Trad. Hélio Pólvora, 2ª edição 1974. Pág. 9

 

[2] HOBSBAWM, E. J. A Era das Revoluções (1789 – 1848). Rio de Janeiro, Paz e Terra,

  1. Pág.: 29

[3] HOBSBAWM, E. J. A Era das Revoluções (1789 – 1848). Rio de Janeiro, Paz e Terra,

  1. Part. Introdução.

[4] HOBSBAWM, E. J. A Era das Revoluções (1789 – 1848). Rio de Janeiro, Paz e Terra,

  1. Pág.: 44

[5] HOBSBAWM, E. J. A Era das Revoluções (1789 – 1848). Rio de Janeiro, Paz e Terra,

  1. Pág.: 45.

[6]  SOBOUL, Albert. História da Revolução Francesa. Rio de Janeiro, Zahar Editores, Trad. Hélio Pólvora, 2ª edição 1974. Pág. 9

[7] SILVA, K. V. SILVA, M, H. Dicionário de conceitos históricos 3.ed. – São Paulo: Contexto, 2010 P

[8] SOBOUL, Albert. História da Revolução Francesa. Rio de Janeiro, Zahar Editores, Trad. Hélio Pólvora, 2ª edição 1974. Pág. 15

[9] HOBSBAWM, E. J. A Era das Revoluções (1789 – 1848). Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2009. Pág.: 41.

[10] HOBSBAWM, E. J. A Era das Revoluções (1789 – 1848). Rio de Janeiro, Paz e Terra

A Ditadura Militar na América Latina e o Caso do Chile

A Ditadura Militar na América Latina e o Caso do Chile

 Edvaldo Batista de Sousa Filho

Este ensaio visa tratar o período que se compreende como de ascensão de governos militares na America Latina, tendo em vista as concepções ideológicas acerca da Doutrina de Segurança Nacional, que nutriam os golpes de Estado no continente, observando ocaso do Chile o momento antecedente ao golpe de Estado, que proporcionou o regime militar e as mudanças estruturais das políticas econômicas e sociais feitas pelo governo de Pinochet que tornou o país vulnerável a qualquer crise econômica mundial.

O período que se pretende observar, as décadas de 1960-70, corresponde a um dos períodos mais turbulentos não só da América Latina, como também da África e da Ásia, como assim ressalva o historiador Eric Hobsbawm;

Descolonização e revolução transformaram de modo impressionante o mapa político do globo. O número de Estados internacionalmente reconhecidos como independentes na Ásia quintuplicou. Na África, onde havia um em 1939, agora eram cerca de cinqüenta. Mesmo nas Américas, onde a descolonização no início do século XIX deixaram atrás umas vinte republicas latinas, a de então acrescentou mais de uma dúzia. Contudo, o importante nelas não era o seu numero, mas seu enorme e crescente peso demográfico, e a pressão que representavam coletivamente. [1]

Essa pressão a qual Hobsbawm se refere, tem como sentido a situação global de Guerra Fria, imposta pela condição concorrente entre as duas superpotências da época, Estados Unidos e União Soviética. E nessa disputa ideológica que possuía acima de tudo dimensões econômicas e sociais, os países de “Terceiro Mundo”.

Nesse sentido, o “Terceiro Mundo” vai apresentar um quadro constante, aparente, de mudanças estruturais e conjecturais. Pelo sentido em que Eric Hobsbawm realça, as modificações no “Terceiro Mundo” estão intrinsecamente relacionadas com Revolução ou com Golpe de Estado.

Por Revolução entende-se, pelo ponto de vista de Norberto Bobbio “A Revolução é a tentativa, acompanhada do uso da violência, de derrubar as autoridades políticas existentes e de as substituir, a fim de efetuar profundas mudanças nas relações políticas, no ordenamento jurídico-constitucional e na esfera socioeconômica.”  [2]

Mas existe outra noção atrelada ao conceito de revolução que é a de contra-revolução, que mais se aproxima da idéia de golpe de Estado. Segundo Florestan Fernandes, define como uma realidade histórica contraria a revolução; é aquilo que impede a revolução [3]. Clovis Rossi afirma que os golpes militares exercidos na America Latina na segunda metade do século XX tinham uma filosofia que se afirmava contrarrevolucionárias [4].

Mas o mesmo autor afirma que esses golpes, que instituíram, por conseqüência, ditaduras, não visavam evitar supostas revoluções em andamento ou a caminho, mas a golpear fundamentalmente a ampliação dos espaços democráticos do povo [5]. O autor observa a idéia de revolução como movimento de ampla participação social não se aplica com veemência na America Latina, visto que a própria luta pela independência foi liderada pelas elites locais, preocupadas menos com a ampliação dos espaços democráticos do que com seus negócios e as possibilidades de expandi-los [6].

Logo se observa que as elites não tinham pretensões de melhorias sociais ou menos promover à ampliação de fronteiras democráticas e à participação popular nos mecanismos decisórios do processo sócio-político-econômico de cada país; tinham aversão ao povo. Não é a toa que com os golpes militares, as elites eram o grupo social que mais se beneficiavam como se observará mais a frente.

Contudo, Bobbio faz uma importante ressalva com relação ao golpe de estado, cujo objetivo é tomar o poder, derrubando o governo em exercício. Mas o golpe não é um regime de governo, não é governo. Ele é um movimento político de contestação da ordem que prepara o caminho para outra forma de governo, em geral uma ditadura, pois isso ele cita que mudaram os significados, existe o Golpe de Estado e o Golpe Militar, que ambos tem ligação, mas são diferentes. [7]

Florestan Fernandes também se pronunciou sobre a relação entre golpe de Estado e revolução, já que para ele:

Se um golpe de Estado é descrito como “revolução”, isso não acontece por acaso. Em primeiro lugar, há uma intenção: a de simular que a revolução democrática não teria sido interrompida. Portanto, os agentes do golpe de Estado estariam servindo a Nação como um todo (e não privando a nação de uma ordem política legitima com fins estritamente egoísticos e antinacionais). Em segundo lugar, há uma intimidação: uma revolução dita as suas leis, e o que ela extingue ou não tolera (em suma o golpe de Estado criou uma ordem ilegítima que se inculcava redentora; mas na realidade, o “império da lei” abolia o direito e implantava a “força das baionetas”: não há mais aparências de anarquia, porque a própria sociedade deixava de secretar suas energias democráticas). [8]

Fernandes ainda concorda com a noção de que a elite em si ganharia com o processo de golpe, ao afirma que no conjunto, o golpe de Estado extraia a sua vitalidade e sua autojustificação de argumentos que nada tinham a ver com “o consentimento” ou com “as necessidades” da Nação como um todo. Ele se voltava contra ela porque uma parte da nação precisava anular e submeter à outra à sua vontade e discrição pela força bruta (ainda que medida por certas instituições)[9]

Para Florestan Fernandes, confundir os significados dessas palavras-chave traduziria em relações de poder e dominação, onde o sentido conservador aplicado ao termo golpe de Estado teria sido invertido pela denominação de revolução que apresenta um sentido progressista, confundindo o dominado e dificultando-o a entender e defender os abusos e as violações cometidas pelos donos do poder [10].

A partir dessa analise desses termos pode-se caracterizar os regimes militares na América Latina.  De acordo com Hobsbawn, existiu ou ainda existe uma predominância de regimes militares, ou a tendência de neles cair, sendo difícil pensar em quaisquer repúblicas que não tenham conhecido pelo menos episódicos regimes militares depois de 1945. [11] Os países da América Latina já conheciam o regime militar, como o Brasil que passou pela “ditadura” de Getúlio Vargas. Mas Hobsbawm afirma que desde a sua formação pós-independência os golpes de Estado fizeram-se parte da sua tradição política, onde muitas vezes os militares tinham mais que seu quinhão político de obedecer à maneira de outro grupo social, ou seja, a burguesia.

De acordo com Arnaldo Spinder os regimes democráticos foram, na América Latina, na maioria dos casos, apenas pequenos intervalos entre ditaduras ou regimes populistas. [12] Menos nos países onde a democracia conseguiu se manteve décadas a fio, como no caso do Uruguai e do Chile, até o momento dos golpes militares.

Hobsbawm complementa que na América Latina as grandes forças de mudança política eram políticos civis – e exércitos. A onda de regimes militares direitistas que começou a inundar grandes partes da América do Sul na década de 1960 – o governo militar jamais saíra de moda na América Central, com exceção do México revolucionário e da pequena Costa Rica, que na verdade aboliu seu exército após uma revolução em 1948 – não respondia, basicamente, a rebeldes armados. [13]

Dessa maneira, ao regime militar esteve presente na tradição política da América Latina, mas com a Guerra Fria, o Estado ditatorial latino-americano vai ser sofrer algumas variações ideológicas, de acordo Miguel Rojas Mix,

El Estado dictatorial nace fundado en una doctrina internacional y nacional que da a los ejércitos el papel de censor de la vida  política. Nace después de la Segunda Guerra Mundial, como consecuencia de la aparición del poder nuclear, que deja a los ejércitos regionales incapaces para asegurar la defensa externa de sus países contra una potencia de este orden, por ello delegan la seguridad externa em uma alianza con una grande potencia: en el caso de America Latina, la alianza con los Estados Unidos en el TIAR. Les queda como función asegurar el “orden interno”. Esta función resulta además coherente con la lógica Este/Oeste y de la “guerra fria”, que vê el conflicto planetário a la vez como una guerra externa e interna, con un enemigo interior que hay que combatir. Esta lógica engendra una concepción del Estado en la que el ejército, lejos de estar subordinado al poder civil, como es lo próprio de los regímenes democráticos, es quien debe controlarlo. Es la llamada doctrina de la Seguridad Nacional.”[14]

A doutrina de Segurança Nacional, de acordo com mesmo autor, a concepção fundamental da política como continuação da guerra. [15] Guerra essa de combate ao comunismo, patrocinada economicamente e ideologicamente pelos Estados Unidos, edificador dessa teoria, e por conseqüência detentor de parte da instabilidade social gerada pelos golpes de Estado. Segundo Hobsbawm essa instabilidade era igualmente evidente para os EUA, protetores do status quo global, que a identificavam com o comunismo soviético, ou pelo menos a encaravam como uma vantagem permanente e potencial para o outro lado na grande luta global pela supremacia. Quase desde o inicio da Guerra Fria, os EUA partiram para combater esse perigo por todos os meios, desde a ajuda econômica e a propaganda ideológica até a guerra maior [16].

Nesse sentido, observa-se que a Doutrina de Segurança Nacional (DSN) se baseia na possibilidade de uma revolução comunista, que por isso deveria precaver e proteger os países do Terceiro Mundo desse perigo, e que seria pelo controle militar do Estado exercido ou não por um golpe (contra-revolução) que esse mal poderia ser extirpado.

De acordo com Miguel Rojas Mix, a DSN pregava que esse combate seria interno, onde o inimigo deveria ser vencido pelo terrorismo de Estado, sendo que este inimigo esta na multidão [17].

Por exemplo, no Chile, o inimigo foi a esquerda unida de socialistas, comunistas e outros progressistas – o que a tradição européia (e aliais chilena também) conhecia como “frente popular” (…). Uma frente dessas já ganhara uma eleição no Chile na década de 1930, quando Washington se mostrava menos nervosa e o Chile era um sinônimo de constitucionalismo civil. Seu líder, o socialista Salvador Allende, foi eleito presidente em 1970, teve seu governo desestabilizado e, em 1973, foi derrubado por um golpe militar fortemente apoiado, talvez mesmo organizado, pelos EUA, que introduziram no Chile nos traços característicos dos regimes militares da década de 1970 – execuções ou massacres, oficiais e para-oficiais, tortura sistemática de prisioneiros e o exílio em massa de adversários políticos. O chefe militar, general Pinochet, permaneceu no poder dezessete anos, os quais ele usou para impor uma política de ultraliberalismo econômico no Chile, assim demonstrando entre outras coisas, que liberalismo político e democracia não são parceiros naturais do liberalismo econômico. [18]

Esse mesmo Chile que já fora considerado como uma “Suíça na América Latina” [19], assim como Uruguai e Costa Rica, um exemplo de democracia e de estrutura partidária solida, até o momento do golpe, sendo um verdadeiro laboratório de experiências políticas, como afirma Sader. Este ainda se destaca perante os outros por ter vivenciado, momentos antes do golpe, sob o governo de Allende, uma tentativa pacifica de transição do sistema político-econômico capitalista para o socialista. De acordo com Rossi, a essência dessa via era o respeito integral à legalidade burguesa para implantar o socialismo, caminho absolutamente original e jamais repetido, antes ou depois de Allende [20].

Eleito em 1970, Allende procurava em seu governo, por meio do Estado Popular, tem como meta central “a transferência do poder, dos antigos grupos dominantes para os trabalhadores, o campesinato e os setores progressistas das camadas médias da cidade e do campo” [21]. A nova economia visava terminar “com o poder do capital monopolista nacional e estrangeiro e do latifúndio, para iniciar a construção do socialismo” [22]. Nesse contexto, Sader afirma que:

As transformações estruturais se baseavam, em grande parte, no ataque à hegemonia que os monopólios exerciam sobre a economia, com 150 empresas – das 30 mil existentes no país – controlando mercados, a ajuda estatal, o crédito bancário e explorando os outros empresários, ao vender matéria-prima a preços elevados e comprando-lhes os produtos por preços baratos. Essas empresas seriam expropriadas, passando à área de propriedade social, que estabeleceria um planejamento nacional da economia.[23]

Contudo, houve varias tentativas de impedir a posse. Segundo diz Rossi, Allende não obteve, na votação popular, a maioria absoluta necessária para dispensar uma segunda votação, esta no congresso, que ratificasse sua indicação para a Presidência da Republica. Pois bem: entre a primeira e a segunda votações, grupos de extrema-direita assassinaram o comandante do Exercito, o general legalista e constitucionalista René Schneider, com a clara intenção de provocar uma intervenção militar que abordasse a posse de Allende. [24]

Mesmo assim Allende assumiu o governo.  No período em que esteve no poder, ele deu inicio um processo de redistribuição de renda, a inflação foi mantida sob controle, também começou a nacionalização de empresas constantes da lista de monopólios, assim como a estatização de bancos, além de avançar no processo de reforma agrária.

Mas a burguesia nada se agradou com essas medidas, o congelamento dos preços dos produtos do mercado formal, feito por Allende, estagnava a mercado e por conseqüências não oferecia lucros aos grandes empresários. As classes dominantes acusavam os golpes recebidos pelas medidas, mas não reagiam passivamente a ele, apesar das aparências [25]. A burguesia deixou de investir no mercado formal, canalizando a sua produção para o mercado negro ocasionando um desabastecimento que logo se generalizou.

Segundo Sader, a burguesia recomeçava a tomar a iniciativa, apoiada na sua fonte de poder social, em última instância, a propriedade privada dos meios de produção. Sabotava o apoio ao governo, ao mesmo tempo que aumentava seus rendimentos vendendo produtos no mercado negro, desmoralizando o congelamento oficial. [26] Ela própria começou a protestar contra o desabastecimento causado por ela mesmo no intuito de desestabilizar o apoio popular ao governo. Porém, os trabalhadores não demonstraram apoio à iniciativa.  Eles começavam a tomar as empresas que sabotavam a produção, fosse fazendo lockouts, fosse levando sua produção para o mercado negro.

Mas a oposição as mudanças sociais de Allende, ganhou novos adversários, nacionais e internacionais. De acordo com Sader o segundo ano de governo foi marco por esses impasses, que foram brecando sua capacidade de ação. Tais efeitos eram resultado da ação cada vez mais coordenada da direita, em todos os escalões – o Partido Nacional, o grupo de extrema-direita Patria y Liberdad (fundado logo depois do triunfo de Allende), a Democracia Cristã, as FFAA, o Judiciário, as organizações empresariais, a grande imprensa, o governo norte-americano e o governo militar brasileiro. Combinavam-se atos militares de sabotagem feitos por Patria y Liberdad, com travas legislativas e jurídicas postas pela oposição parlamentar e pelo Judiciário, declarações de altos oficiais, campanhas de difamação na imprensa – tudo convergindo para criar um clima de ingovernabilidade e obrigar as FFAA a intervir.

Além disso, o autor ainda afirma que todas essas ações combinadas – ações terroristas, bloqueios institucionais, campanhas de imprensa – tornaram possível reunificar a direita sob a orientação de desestabilizar o governo de Allende; o foco deixou de ser o Parlamento para deslocar-se para as ruas, através dos protestos da classe média, engendrados pelas classes dominantes. Outras ofensivas visam para a economia, mas as mobilizações operárias e estudantis ocuparam as empresas paralisadas e as fizeram funcionar. Mas uma vez, as massas demonstraram apoio ao governo.

Contudo, antes do golpe de 1973, houve uma tentativa mais branda de tomar o poder. A direita tentaria dar um golpe branco nas eleições parlamentares do mesmo ano, tratando de conseguir dois terços dos votos necessários para assim destituí-lo por meio de um impeachment.  Mas o golpe fracassou e os partidos de esquerda obtiveram 44% dos votos, impedindo o golpe através do Congresso.[27]

Mas de acordo com Rossi, a justificativa para tirar Allende do poder, não foi a sua ação governamental, os erros que seu governo cometeu ou as supostas ilegalidades de que foi acusado pela oposição que levaram o golpe. Foi pura e simplesmente, o projeto de transformações sociais desenhado pela Unidade Popular e que o governo de Allende tentou – e, em alguns casos conseguiu – implantar.[28]

Fracassada a tentativa de “golpe branco”, a direita se reunificou em torno da linha de golpe militar, que ocorreu no dia 11 de setembro de 1973, com auxilio norte-americano, mais precisamente dos Estados Unidos, ocasionando o dito suicídio de Allende, que segundo Sader no dia 11 de setembro de 1973 o Chile via assim substituir-se o máximo de democracia que havia conseguido estabelecer em sua história, pelo regime mais cruel que havia conhecido. A polarização entre revolução e contra revolução se alimentou mutuamente, com esta última triunfando por sua determinação em dirigir o país para o enfrentamento militar e um regime baseado na violência.[29]

Nessa última afirmativa de Sader, pode-se fazer uma aproximação com a idéia de Florestan Fernandes. Tendo em vista a revolução como uma realidade histórica e a contra-revolução como o seu contrário, não apenas a revolução pelo avesso: é aquilo que impede ou adultera a revolução, se a massa de trabalhadores ou outra classe desfavorecida pelo novo regime quisesse tomar alguma atitude frente a nova realidade, devem calibrá-las cuidadosamente, porque o sentido daquelas palavras terá que confundir-se, inexoravelmente, com o sentido das ações coletivas envolvidas, já que o golpe de Estado não teve (no caso do Chile), a intenção de melhorar a sociedade chilena como um todo, mas na verdade conservar o poder político e econômico na elite , deteriorando dessa forma o sentido de revolução.

É por essa linha de raciocínio que muitos historiadores evidenciam a não aplicabilidade do termo revolução ao golpe de Estado, visto que, em sua maioria não houve transformações sociais, e muito menos econômica, que favorecesse a maioria da população. O regime instaurado por Pinochet, não trouxe nenhuma espécie de avanços sociais, que governos anteriores a ele, antes mesmo e Allende, haviam alcançado.  Já se esperava que o novo regime desmontasse toda a construção política e social feitas por Allende, mas os militares chilenos foram muito além, segundo Rossi. O autor diz que os militares mexeram em programas, projetos e instituições criadas muito antes de Allende. Segundo Sader, após o golpe o regime passou a desenvolver seus planos de reorganização da sociedade chilena, com o estado de sitio em vigor, toque de recolher, à censura da imprensa, ao fechamento do Congresso, entre outras coisas. Em suma, a um regime ditatorial. Medidas como as de arrocho salarial, que é aquele salário que não acompanha a inflação, de liberalização da remessa de lucros, de redução dos impostos à exportação, de liberação dos preços, tudo isso foram medidas tomadas para atrair empresários a investirem no país fazendo com isso a crescer a economia.

Nota-se a partir dessa passagem que o governo de Pinochet procurou fazer reformas principalmente na economia, baseadas, segundo Rossi, no ultraliberalismo ou não crença cega no poder do mercado, e essa noção deslizou sobre os demais segmentos da realidade chilena, como a Previdência Social e a educação. Mas o que acabou sendo evidente é que se o Poder político estava em poucas mãos e a sociedade estava muito longe dele, a riqueza por sua vez também se concentrou em um número reduzido de famílias, colocado de lado as grandes maiorias.

De mais a mais, a importação acabou destruindo os pólos industriais nacionais, com a chegada maciça de aparelhos eletrônicos, têxteis e automóveis vindos da Ásia, graças a uma rápida e drástica redução das tarifas alfandegárias, ocasionando o desmantelamento da indústria chilena. Assim a preocupação da economia chilena naquele momento era exportar produtos primários e importar produtos manufaturados. E esses produtos importados acabavam não atendendo as necessidades de toda a população chilena, devido ao alto índice de desemprego com a falência das indústrias nacionais, e por conseqüência esses produtos estrangeiros acabavam se destinando à elite que enriquecia espantosamente à custa da miséria da maioria. Além disso, a reforma agrária havia sido abandonada, agravando ainda mais o quadro de pobreza no Chile.

De acordo com Hobsbawn, no período em que o general Pinochet, permaneceu no poder, dezessete anos, ele impôs uma política de ultraliberalismo econômico no Chile, assim demonstrando entre outras coisas, que liberalismo político e democracia não são parceiros naturais do liberalismo econômico. Já Clóvis Rossi diz que é apenas aparente a contradição entre autoritarismo e o liberalismo, já que o primeiro tornou possível o segundo. Sem ele o segundo não sobreviveria muito tempo, porque resultou em um desastre econômico, social e moral absolutamente inédito na Historia das nações latino-americanas.

Todavia, segundo Rossi, passados 13 anos do golpe de 1973, os partidos chilenos, na clandestinidade (os da esquerda) ou na semiclandestinidade (os do centro e direita), continuaram sendo pontos de referência vitais, seja para a mobilização social contra a ditadura militar, seja para a negociação interna e até externa, que conduziria à redemocratização do país.

Observando todas essas mudanças exemplificadas como caso do Chile, sabemos que se os acontecimentos antecedentes aos golpes militares demonstraram que eles não serviram para impedir nenhuma espécie de revolução em andamento ou à vista, na verdade, os fatos que seguiu esses movimentos provam que o objetivo acabou sendo mesmo, o espaço democrático ou colocar a sociedade, como um todo, cada vez mais longe do Poder.

 

 

Referências Bibliográficas

COGGIOLA, Oswaldo. Governos militares na América Latina. São Paulo: Contexto, 2001.

FERNANDES, Florestan. O que é Revolução.  São Paulo: Brasiliense, 1981

HOBSBAWM, Eric.  Terceiro Mundo. In: _______. A Era dos Extremos: o breve século XX – 1914-1991. Tradução de Marcos Santarrita. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. Caps. 12; 15.

BOBBIO, Norbeto. Dizionário di Politica; UTET, 1983. Tradução João Ferreira: Dicionário de Politica, Brasília-DF; ed. UnB, 11ª edição 1998.

MIX Miguel Rojas. La dictadura militar em Chile e América Latina. In: WASSERMAN, Claudia e GUAZELLI, Cesar Augusto Barcellos (orgs.). Ditaduras Militares na América Latina. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004

ROSSI, Clóvis. A contra-revolução na América Latina. São Paulo: Atual; Campinas, SP: Edt. da UNICAMP, 1987.

SADER, Emir. O Chile (1818-1990) Da independência à redemocratização. São Paulo: Brasiliense, 1991.

SPINDEL, Arnaldo. O que são Ditaduras.  São Paulo: Brasiliense, 1981

[1] HOBSBAWM, Eric.  Terceiro Mundo. In: _______. A Era dos Extremos: o breve século XX – 1914-1991. Tradução de Marcos Santarrita. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. Cap. 12. Pags. Pag. 337.

[2] BOBBIO, Norbeto. Dizionário di Politica.UTET, 1983. Tradução João Ferreira:Dicionário de Politica, Brasília-DF; ed. UnB, 11ª edição 1998, pag. 1121.

[3] FERNANDES, Florestan. O que é Revolução.  São Paulo: Brasiliense, 1981. pag. 08.

[4] ROSSI, Clóvis. A contra-revolução na América Latina. São Paulo: Atual; Campinas, SP: Edt. da UNICAMP, 1987. pag. 14

[5] ROSSI, Clóvis. A contra-revolução na América Latina. São Paulo: Atual; Campinas, SP: Edt. da UNICAMP, 1987. pag. 15.

[7] BOBBIO, Norbeto. Dizionário di Politica.UTET, 1983. Tradução João Ferreira:Dicionário de Politica, Brasília-DF; ed. UnB, 11ª edição 1998, págs. 545 e 546.

[8] FERNANDES, Florestan. O que é Revolução.  São Paulo: Brasiliense, 1981

[9] Idem. pags. 08 -09.

[10] FERNANDES, Florestan. O que é Revolução.  São Paulo: Brasiliense, 1981. pag. 09.

[11] HOBSBAWM, Eric.  Terceiro Mundo. In: _______. A Era dos Extremos: o breve século XX – 1914-1991. Tradução de Marcos Santarrita. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. Cap. 12.

[12] SPINDEL, Arnaldo. O que são Ditaduras.  São Paulo: Brasiliense, 1981. pags. 32-33.

[13] HOBSBAWM, Eric.  Terceiro Mundo e Revolução. In: _______. A Era dos Extremos: o breve século XX – 1914-1991. Tradução de Marcos Santarrita. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. Cap. 15. pag. 429.

[14] MIX, Miguel Rojas. La dictadura militar em Chile e América Latina. In: WASSERMAN, Claudia e GUAZELLI, Cesar Augusto Barcellos (orgs.). Ditaduras Militares na América Latina. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004. pags. 13 -14.

[15] Idem. pag. 14.

[16] HOBSBAWM, Eric.  Terceiro Mundo e Revolução. In: _______. A Era dos Extremos: o breve século XX – 1914-1991. Tradução de Marcos Santarrita. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. Cap. 15. pag. 421.

[17] MIX, Miguel Rojas. La dictadura militar em Chile e América Latina. In: WASSERMAN, Claudia e GUAZELLI, Cesar Augusto Barcellos (orgs.). Ditaduras Militares na América Latina. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004. pags. 14 -15.

[18] Idem. pags. 429 – 430.

[19] SADER, Emir. O Chile (1818-1990). São Paulo: Brasiliense, 1991. Pag. 12

[20] ROSSI, Clóvis. A contra-revolução na América Latina. São Paulo: Atual; Campinas, SP: Edt. da UNICAMP, 1987. Pag. 17.

[21] SADER, Emir. O Chile (1818-1990). São Paulo: Brasiliense, 1991. pag. 50.

[22] Idem.

[23] Idem. pag. 51.

[24] ROSSI, Clóvis. A contra-revolução na América Latina. São Paulo: Atual; Campinas, SP: Edt. da UNICAMP, 1987. Pag. 17.

[25] SADER, Emir. O Chile (1818-1990). São Paulo: Brasiliense, 1991. Pag. 56.

[26] Idem. pag. 57.

[27] Idem. pag. 62.

[28] ROSSI, Clóvis. A contra-revolução na América Latina. São Paulo: Atual; Campinas, SP: Edt. da UNICAMP, 1987. Pag. 18.

[29] SADER, Emir. O Chile (1818-1990). São Paulo: Brasiliense, 1991. Pags. 66 -67.

A Política do Big Stick: Imperialismo Norte Americano

Por: Bruno Ferreira

Essa politica  tem como base a teoria de Monroe (” A América para os Americanos”) uma alerta para as potencias da Europa para que não venham intervir no futuro mercado consumidor americano, um dos muitos exemplo de intervenção americana foi onde E.U.A interviu em Cuba e Porto Rico no processo de independência  mas não ficaram independentes de fato por que os E.U.A anexaram porto rico, e Cuba foi obrigada a criar uma emenda em sua constituição a famosa “Emenda Patt” aceitando a intervenção americana na Ilha, quando fosse necessário esse episodio teve fim com a Revolução Cubana.

Essa política foi adotada pelos estados unidos durante o governo de Theodore Roosevelt (1901-1909) que tinha como principal objetivo a intervenção política na America latina sempre que os interesses estadunidenses tiverem em jogo.

Um dos muitos exemplos foi o caso do Panamá, esses pais que era um território da Colômbia tiveram sua independência graças à ajuda norte americana no processo de independência, em troca os americanos construíram um canal que representou posteriormente um grande negocio para a economia norte americano, pois com esse canal ocorreu a redução de custos do transporte de mercadorias da costa Leste para a Oeste dos Estados Unidos.

Mas durante o século XX os estados unidos tiveram presente na America latina de muitas formas através dos seus produtos e também através de sua política intervencionista na política latino americana onde financiava grupos para se opor a crescente política socialista pelo mundo, o grande porrete foi a forma pela qual os americanos mantiveram seu controle sobre a America latina, desrespeitando o principio das isonomia das nações.

O seculo XX pode ser conhecido alem de ser um século breve e de grandes transformações econômicas, sociais e políticas como também o século dos estados unidos pois a partir da segunda guerra os estados unidos tornava-se junto com a URSS a grande potencia mundial e em 1991 com a queda da união soviética e do socialismo os americanos reinaram com sua política e economia no mundo inteiro.

Mas após a política do grande porrete com a força militar, os norte americanos substituem sua política intervencionista através do dinheiro conhecido essa nova política como “diplomacia do dólar” para que os políticos latinos vendem-se seus favores para os estados unidos. Desta forma que a elite financeira e industrial norte americana expandiu seu capital alcançando facilidades na America latina, prejudicando a grande maioria da população, a expressão Imperialismo americano foi muito bem usada por políticos de esquerda entre eles Fidel Castro, Che Guevara e atualmente por Hugo Chaves da Venezuela.

Essa política intervencionista americana durou ate o fim do século XX e começo do século XXI a partir daí novas forças econômicas surgem entre elas os países subdesenvolvidos e a Europa e Japão como forças que equilibrem o econômico político no mundo, mas sabendo que os Estados Unidos detém o poder em muitos aspectos.

Read more: http://historiabruno.blogspot.com/2012/10/a-politica-do-big-stick-imperialismo.html#ixzz3VbqNzMx1

O Poder da Guerra: A evolução

Por: Bruno Ferreira

A guerra sem duvida nenhuma desempenha um papel fundamental na história da humanidade e através dela que a sociedade transformou no que é hoje a historia da humanidade e a história das guerras estão associadas sendo que ascensão e quedas de impérios, reinos e civilizações dependem da aplicação de forças militares.

Apesar das muitas mudanças que tiveram lugar na história da guerra certas constantes permanecem. O sucesso na guerra pertence àqueles que se prepara melhor; e o treinamento o municiamento e a organização dos exércitos são os fatores centrais dessa preparação. (Pg. 06 Gilbert)

Até onde os estudos arqueológicos podem comprovar os primeiros grandes exércitos foram os assírios que tinham grandes forças e estratégias essa civilização que se encontrava na Mesopotâmia e Egito.

Os egípcios também tinham formidável organização militar e grande aparato bélico, para ter o domínio de sua região, foram eles que empregavam formidáveis carros de guerras como bigas em campo de batalha. E com seus poder nas vitorias conseguiram construir uma das maiores civilizações que o mundo já viu a antiga civilização egípcia.

Com o avanço da tecnologia bélica e das novas formas de política a Grécia surge como a grande transformadora do modo de fazer guerra no seu período uma das cidades estados mais famosas tratando de ter bons guerreiros que era Esparta, os seus guerreiros ganharam mais fama nos dias de hoje com o filme “300 de Esparta”.

Na própria Grécia e na vizinha macedônia surge Alexandre o Grande a onde seu invencível império conquistou o mundo antigo e colocou com isso um modo de vida e cultura o Helenismo.

Os gregos foram responsáveis pela criação pela criação da principal unidade de infantaria de seu tempo, a falange. O tipo de guerra inextricavelmente associada a ela era o confronto decisivo  entre dois corpos  de soldados de moção lenta e grande disciplina, que avançavam de encontro um ao outro em formações cerradas e protegidas, até se engalfinharem em uma exaustiva troca de empurrões e punhaladas que só tinham fim quando um dos lados se rendia. ( Pg. 16 Gilbert)

A pérsia foi a grande rival da Grécia ocorreram varias guerra mas a Grécia permaneceu apesar de algumas derrotas até que o império Persa foi dizimado aos poucos até a chegada de Alexandre como novo dominador da Ásia menor e parte dos Bálcãs e índia.

A Morte de Alexandre gera uma grande fragmentação do poder em vários estados entre seus generais com o avanço de Roma pela Europa e Mediterrâneo Roma apesar de intensa guerra e brigas domina a todo o Mediterrâneo e partes da Ásia e áfrica vira então o maior império da antiguidade criando um modo de viver uma cultura com base em troca a guerra e um importante fator para incorporações e transformações de valores o derrotado torna-se dependente do vitorioso no campo econômico, mas no campo cultural alguma coisa muda mas de grosso modo permanece um exemplo e a cultura dos judeus que apesar de terem sido perseguidos durante toda a historia mantém uma forte cultura ligada a religião, essa que contribuiu para o modo religioso e a criação do cristianismo.

Roma passou de republica para império e tornou – se um grande império graças ao seu modo de fazer guerra e suas grandes legiões que dominavam um vasto território tudo isso em um breve espaço de tempo.

Em um único século. Roma deixou de ser uma cidadezinha provinciana para tornar-se a mais poderosa cidade da Itália, com ambições no exterior que alarmaram a vizinha Grécia. A destreza militar dos romanos se devia principalmente  à organização de seus soldados em legiões e centúrias, o que lhes dava flexibilidade no campo de batalha e um método eficiente de fazer a guerra, algo entre a compacta falange e os espaçadas fileiras celtas. (Pg. 26 Gilbert)

O vale do rio amarelo na Ásia atual China era composto de vários reinos ate a unificação da China em um império composto por um imperador para tal feito eles necessitaram de proteção durante séculos e construiu um muro, conhecido até hoje como a famosa muralha da China.

Aos poucos surge Sun Tzu que contribui e muito para uma nova filosofia na guerra ele cria regras que inovam o modo de fazer guerra na china, a idéia a seguir contribui para o artigo.

O desenvolvimento de exércitos e táticas na China deveu muito às lutas que irrompiam freqüentemente entre as comunidades de maioria étnica e as tribos bárbaros do norte, que costumava invadir e saquear sua vizinha mais rica. Conseqüências interessantes desse fenômeno, promovidos, sobretudo pela obra de Sun Tzu, foram uma filosofia associada coma a guerra e o reconhecimento de política e estratégias mais abrangentes nesse sentido. (Pg. 38.Gilbert)

Posterior a era dos impérios do mundo antigo a Europa fragmenta-se com a queda do império romano em 476 d.c com a invasão dos povos bárbaros vindos a procura de alimentos e melhores condições de vida a única estrutura que funciona posterior a queda de Roma é a a igreja que permanece capaz de modificar a estrutura e nomear os reis futuros da Europa criando um modo de vida baseado na servidão, surgindo o feudalismo com isso grandes exércitos e legiões desaparecem e apenas iram voltar com Napoleão Bonaparte.

Porem a idade media foi um dos períodos de mais lutas na Europa surge o termo “cavaleiro” para nobres que defendiam os seus feudos de invasões indesejadas o modo de fazer a guerra era diferente porem a luta e a guerra permanece, a cavalaria ganha grande importância para a guerra medieval.

No ocidente o império romano cai no oriente o império bizantino permanece firme e forte por um bom tempo, outro império cresce com sua força militar invadindo a península ibérica o império islâmico porem e detido pela Espanha e Portugal e são expulsos da Europa os mouros, mas influencia com sua cultura a Espanha.

A barcando cerca de mil anos de conflitos, desde o século V até o XV, a idade media foi um período em que o guerreiro montado, trajando armadura ou não, dominou os campos de batalha isso se aplica especialmente às sociedades guerreiros nômades provindas das estepes da Eurásia e da Ásia central, que tiveram uma vultosa influencia em sociedades sedentárias tão distantes uma das outras como a China o sul da Ásia, o Oriente Médio e a Europa Central. (Pg. 40. Gilbert)

Quando tudo parecia que a unificação iria demorar muito mais que o esperado entre os povos europeus surge o famoso império Carolíngio unificando a atual frança, parte da Áustria e Alemanha e Itália, Carlos Magno merece destaque na unificação. Carlos Magno foi derrotou os pequenos reinos belicosos e trouxe a sua região uma medida de paz que não se via desde os tempos romanos.

O pode era grande em torno dele e conquistou com a ajuda da igreja forte poder sobre a Europa tornando o grande imperador de um breve período.

Vale ressaltar que alem da evolução de armaduras e escudos e espadas para a guerra com melhores metais vale lembrar a evolução de fortificações para a proteção dos nobres grandes castelos fora erguidos e graças a essas fortificações foi possível a sobrevivência de reis e nobres.

A igreja desempenha seu papel de grande cartório da Europa na idade medieval mais provoca entre os nobres à ira de invadir e tomar Jerusalém lugares santos para o cristianismo foi desse modo que organizou as cruzadas.

Com o avanço de técnicas, estratégias e principalmente armas que foi possível através desse ultimo o aparecimento da pólvora e armas de fogo que revolucionaria o período.

Aparece varias guerras na Europa e principalmente entre França e Inglaterra a guerra dos Cem anos, a grande guerra do norte os exércitos se profissionalizam aparece também às primeiras guerras ameríndias contra os índios da America a busca por território e poder era grande em nome de deus ou mesmo de um rei.

Em meio à forte autoritarismo e crescimento econômico surge a burguesia com as idéia iluministas e ocorre a grande revolução a famosa Revolução Francesa nesse momento vai surgindo aos poucos a famoso Napoleão Bonaparte general que se tornaria cônsul por golpe e imperador da França que dominaria toda a Europa e inovaria na estratégia de guerra.

Para ajudar o período foi marcado com a revolução americana e o processo de independência das Américas graças a idéias iluministas que proporcionaram a libertação da America do domínio político das metrópoles, Napoleão cai na campanha da Rússia e por ultimo na batalha de Waterloo.

A guerra civil America faz com que os estados unidos se dividem entre norte e sul para o predomínio do poder econômico, o norte ganha e começa ai o expansionismo americano para oeste.

O Século XIX foi um período transicional extremamente sangrento no campo bélico. No intervalo de cem anos entre a batalha de Waterloo, em 1815, e o inicio da primeira Guerra Mundial, os conflitos militares se desenvolveram mais rápido e dramaticamente do que em qualquer século anterior. Conforme novos avanços tecnológicos se difundiram e a Revolução industrial se impôs, mudanças na artilharia no transporte, nas comunicações e na construção naval alteraram completamente a face da guerra ao redor do mundo. ( Pg. 180 Gilbert)

O poder volta a falar alto na Europa na unificação italiana e alemã a guerra naval ganha força e guerras pulverizam no mundo pequenos ou grandes, na America vemos a guerra hispano-americana também temos  a guerra dos Bôeres, rebelião dos Boxers, e no começo do século XX ocorre a Guerra Russo Japonesa que provocaria mais tarde revoluções no império Russo e o primeiro Estado socialista o poder mudava na Rússia e incentivaria grandes mudanças.

De 14 – 18 começariam o grande conflito do começo do século a primeira Guerra mundial que abalaria o mundo como vemos e mudaria políticas tanto militares como econômicas no decorrer das décadas posteriores.

O mundo de 1750 a 1914 era um mundo de impérios até o começo do século vinte o poder estava concentrado nas mãos de poucos e poucas democracias existiam até então a seguir a idéia imprime o que foi dito.

As Revoluções Americanas e Francesa mudaram as expectativas políticas do ocidente. Embora os resultados tenham sido contraditórios – os EUA surgiram como uma democracia em pleno funcionamento, enquanto à França ficou desestabilizada por quase um século -, a demanda pela liberdade política persistiu durante todo o séc. XIX. Uma onda de levantes nacionalistas trouxe à independência para grande parte da América Latina e a unificação da Itália e da Alemanha. Em outros países, entretanto, nações coloniais continuaram a dominar grande parte do mundo, impedindo o desenvolvimento político local. Mesmo regiões independentes, como China e Japão, sofreram intervenções ou interferências das potências européias. (Pg 258 – 259 Philip Parker)

A origem da primeira guerra mudaria o mapa global as origens da guerra são duas as midiáticas que estão nos bastidores do império austro – húngaro, que geraria a morte do arquiduque Francisco Ferdinando, mas por outro ponto as questões mais amplas do conflito foram à rivalidade nacionalista que havia desenvolvido na Europa durante o século XIX.

A “Grande Guerra” como era conhecida foi o maior conflito até a segunda guerra mas porem foi o pedra inicial da segunda guerra, mudando o modo de poderes no mundo com a vitoria da França foi criado o tratado de Versalhes que impunha regras e condições aos derrotados a Alemanha, no campo tecnológico muito evolui surge armas inovadoras, e empregado a aeronáutica na guerra aviões em combate pela primeira vez num grande conflito.

Em 1929 quebra a bolsa de valores de Nova York a Europa e o mundo em crise provoca na política o surgimento de um uma política nacionalista autoritária de direita e faz nascer o Fascismo e o Nazismo.

O Nazismo representado na figura de Adolf Hitler faria que Alemanha cresce-se como grande potencia do período criando uma maquina de guerra capaz de dominar a Europa e aterrorizar o mundo capitalista, no campo militar as armas evoluíram e as estratégias mudaram a força aérea recebe forte importância e a força naval passa a contar com submarinos que aterrorizariam o oceano atlântico.

Mas mesmo com forte força militar, e política a Alemanha, Japão e Itália são derrotados os Estados Unidos vira de fato a Grande potencia da segunda metade do século XX, criando uma cultura e um poder baseado no dinheiro e no consumo, outra potencia no pós guerra e a URSS baseado no socialismo surge a chamada guerra fria no mundo que seria conflitos espalhados e financiados pelas duas potencias o mundo foi dividido até a queda do muro de Berlim onde os Estados Unidos foi o campeão da corrida e impôs seu poder no mundo contemporâneo em definitivo, o avanço tecnológico das ultimas décadas pós guerra foi enorme surge novas potencias em desenvolvimentos nas duas ultimas décadas e duas guerras marcariam a ultima década, provocada por uma nova ameaça o terrorismo.

As democracias ocidentais têm sido tradicionalmente alvo de grupos terroristas, sejam extremistas árabes organizações de esquerda (freqüentemente apoiada por regimes comunistas) ou nacionalistas violentos. Em seus esforços por alcançar metas muitas vezes extravagantes, tais grupos recorreram a raptos seqüestros e assassínios, com resultado no mais das vezes horrendas. A resposta foi a formação  de unidade de elite para combater grupos terroristas.  (Pg. 290, Gilbert)

Bem percebe que com o fim da guerra fria muitos acreditariam que haveria paz no mundo contemporâneo essa visão tanto simplória não ocorreu e sim persistiram vícios conflitos pelo mundo, também proliferação de armas nucleares e químicas só veio a agravar a instabilidade mundial, nessa ultima década o oriente médio permanece uma das áreas mais conturbadas pela guerra em todo o mundo, assolada por conflitos étnicos e religiosos na busca  e alvo dos interesses das grandes potências globais.

Por fim percebe-se que a guerra tem uma grande importância no mundo atual e antigo no passado para impor modos civilizações e impérios e no futuro para impor um modo capitalista global em que a democracia pode torna-se uma faca de dois gumes, os mais prejudicados em qualquer guerra e o povo que foi e permanece sendo explorado por reis, nobres, elites, e poderes econômicos vemos que a guerra desempenha um papel de grande importância é um instrumento final de uma negociação, mas que provoca fatores de mudanças por onde passa.

BIBLIOGRAFIA

GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através dos Tempos. São Paulo: M. Books, 2005.

PARKER, Philip. Historia Mundial: Guia Ilustrado Zahar. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

Read more: http://historiabruno.blogspot.com/2011/12/o-poder-da-guerra.html#ixzz3WDEovbT8

Abril: Quem é o herói?

No mês de abril nos deparamos com duas datas comemorativas e que trazem conceitos diferentes nelas. Dia 19 e 21 de abril, a primeira remete aos ancestrais do povo brasileiro que já habitavam á muito tempo o solo tupiniquim quando os invasores europeus chegaram e impuseram sua cultura, seus costumes, suas crenças e executaram o plano de aniquilação Identitária dos nativos. O próprio termo “índio” já é em si preconceituoso, pois generaliza e enquadra todas as etnias existentes e extintas como se fossem perfeitamente iguais.
Já na data de hoje é comemorado com entusiasmo o Dia de Tiradentes. Este que desde as classes primarias da escola é aclamado como o “Patrono da Nação” que queria descativar o povo brasileiro do controle colonial português e fazer dessa pátria um lugar livre para todos. O que propositalmente é esquecido de menção nos livros de história é que a imagem de Tiradentes como mártir da independência com aparência de Jesus Cristo foi criada 100 anos após sua morte, com o propósito de legitimar o golpe militar de 1889 criando um herói nacional. O alferes nunca foi a favor da independência do Brasil, ou da abolição da escravatura. Foi um sujeito elitista que buscava regalias para um seleto grupo da região na qual morava. O próprio feriado do dia 21 foi criado m 1965 na ditadura militar, provavelmente com o mesmo objetivo do golpe republicano, que era de forjar um herói.
As duas datas de abril nos mostram que a história pode muito bem ser deturpada e naturalizada na mente popular. De um lado um herói inventado para nos fazer acreditar que somos um povo em que um dos nossos iguais quis libertar a nação contra o espólio do exterior. Do outro lado um povo que merece muito mais que apenas um dia no calendário (que nem feriado é). Merece que a preservação da verdadeira família tradicional brasileira seja feita de forma efetiva, e que a cultura indígena não precise mendigar por demarcações tardias ou ser exterminada por latifundiários e fazendeiros que querem ampliar suas posses a todo custo.

Por: Allisson Tiago

O norte e a politica de imigração

Edvaldo Batista de Sousa Filho

 

Os textos de Evaldo Cabral de Mello visam abordar o processo de transição da escravidão para o trabalho livre, através de um novo modelo de formas de trabalho, que estava se inserindo no Brasil naquele período, que era o trabalho assalariado. Isso traria melhores futuros para a economia, devido ao trabalhador assalariado também comprar os produtos que produzia, gerando assim uma grande massa consumidora que traria mais lucros para seus produtores. Acreditamos que os aspectos econômicos, embora sejam condicionantes fundamentais do movimento histórico, não são de todo os maiores fatos para que ocorressem as mudanças que eram propostas, a parte financeira tinha muita influência, mas não era tudo gerado a partir disso, com isso temos que também perceber que havia além de tudo aspectos culturais, devido à mudança de tempos e da mentalidade de várias pessoas presentes na sociedade da época.

Procuraremos analisar os impactos do tráfico interprovincial de escravos e o que a proibição dessa pratica trouxe para a economia da época, que em sua maior parte era cafeeira. Evaldo também trata de como era a população e a concentração de pessoas nas fazendas antes e depois da proibição do tráfico de escravos, e faz com que o leitor faça uma analise depois que houve a abolição da escravidão. Será mostrada a mudança no contexto de relações entre as pessoas, no caso os senhores de engenho e os escravos após o inicio do fechamento desse ciclo de escravidão, os efeitos que foram gerados pelas leis contra a escravidão, como a Lei do Ventre Livre, que Evaldo trata como uma das medidas que foram tomadas para que chegasse de fato ao fim daquele período de escravidão, além disso, ele também mostra como ficou configurada a sociedade naquela época, em questão de relacionamentos das pessoas e até mesmo na politica regional de determinados lugares, que usaram de certa forma, seu “ideal” contra a escravidão para se promover politicamente e assim assumir cargos públicos, pela popularidade adquirida através dessa “luta” contra a escravidão negra. Isso entre outras coisas, o autor mostrará que vão ser uma série de fatores que levaram ao fim da escravidão pela Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel em 1888.

De acordo com Evaldo Cabral de Mello, o tráfico interprovincial cresceu porque na segunda metade do século XIX as províncias do norte do Brasil não precisavam de grandes contingentes de mão de obra escrava. A crise econômica que se instalou nas regiões produtoras de algodão e açúcar acabou levando os senhores de engenho a empobrecerem e, além disso, os seus produtos citados acima eram vendidos a um custo muito pequeno, isso fez com que as atividades produtivas permanecessem estagnadas e isso também limitava a necessidade de trabalho braçal para essas áreas. Por isso, a venda de escravos representava uma saída para a recuperação do capital investido na produção agrícola e foi isso que muitas províncias fizeram. Com isso os senhores de engenho entraram no tráfico interprovincial de negros, que é o tema que o autor trata no capítulo.

Até o final do tráfico interprovincial de negros, foi-se movimentada uma grande quantidades de negros para as províncias do sul, fazendo com isso alguns senhores se recuperarem financeiramente e levando assim mão-de-obra escrava para trabalhar nas lavouras de café. A Bahia era uma das grandes rotas, e junto com Pernambuco e Paraíba era também uma das grandes exportadoras de escravos nesse tráfico interprovincial de negros. Numa época em que as estradas terrestres eram muito precárias, o tráfico marítimo ocorria como o principal meio de integração entre as diferentes regiões do Império. Inicialmente, o tráfico dos negros era dominado pelas embarcações à vela, pois apesar de existir também por terra, se tornava muito arriscado para os traficantes, com isso o mar era o mais explorado. Seja por via marítima ou terrestre, desde cedo à nova modalidade de tráfico chamou a atenção das autoridades.

Com o passar dos anos o eixo do café que era mais forte em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, foram adotando medidas para que esse tráfico se enfraquecesse, devido ao baixo lucro que ele gerava em comparação com a dos trabalhadores assalariados, que tinham com mão-de-obra eficiente e qualificada nessa área. Além de produzirem eles não apenas exportariam, mais também venderiam dentro do Brasil para os seus próprios trabalhadores assalariados, que comprariam para consumir em casa, isso geraria muito mais lucro. O tráfico interno provocou um verdadeiro esvaziamento da população escrava nas províncias do norte, as quais “perderam” seus escravos para as plantações de café presentes no sul do império. Isso aconteceu devido ao aceleramento do processo de transição do trabalho escravo para o trabalho livre nesta parte do país.

Com a proibição do tráfico de escravos negros e o declínio da prática escravista, foi ocorrendo grande imigração por parte dos povos europeus em diversas áreas do império. O autor também levanta uma questão sobre essa imigração em alto número nas províncias do norte do Brasil, imigração esta que transformou completamente a sociedade daquela época e também alterou em larga escala a questão econômica do império. Algumas dessas mudanças duram até hoje, como costumes, cultura e aspectos atrelados a questões religiosas. O norte já tinha chamado a atenção dos europeus desde a época em que os holandeses vieram para Pernambuco e chegaram a controlar o governo do local, isso era tão visível justamente pela questão econômica que esta área exercia por causa do cultivo da cana-de-açúcar. Mesmo com o declínio do cultivo da cana-de-açúcar o Norte e o Nordeste do império ainda ficaram muito visados, pois apesar de ter enfraquecido a economia com a queda dos preços do açúcar, o Norte ainda tinha grande importância para o império, pois só estava atrás economicamente do cultivo do café, produto pelo qual os imigrantes europeus viriam atrás na busca de emprego.

Sabemos que a imigração europeia se deu em larga escala no sul e sudeste do país, como por exemplo, em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e outros. Essa grande imigração no Sul do país, fez com que o desequilíbrio econômico e de importância decaísse no Brasil, pois como sempre se da importância a quem tem o maior poder econômico, ou seja, aquele território que sustenta economicamente o país.  Isso trouxe uma grande disparidade, fazendo com que o antes grande e rico Norte, viesse a ser esquecido por parte dos governantes, fazendo com isso a população daquela região ficar altamente insatisfeita. Além disso, aumentou gradativamente a população em territórios brasileiros naquela época, chegando ao ponto de não ter emprego suficiente para todos os trabalhadores que vieram, e juntamente com todos esses problemas, os trabalhadores que estavam empregados passavam grandes dificuldades com a precariedade dos seus ambientes de trabalho e com a falta de estrutura que o Brasil apresentava. Algumas pessoas da alta aristocracia chegaram a fazer campanhas para a vinda de trabalhadores para o Brasil trabalharem nas lavouras de café, mas em vezes negavam tudo, devido a esse descontentamento por parte do norte e falavam que os europeus escolhiam o sul pela preferência climática: “O fenômeno foi sempre explicado em termos de preferência climática(…)”[2].

[1] Autor. Formado em História pela Universidade de Pernambuco – UPE doCampus Mata Norte 2014.2.

[2] MELLO, Evaldo Cabral de. O norte e a politica de imigração; in: O Norte Agrário e o Império: 1871-1889. Rio de Janeiro: TOPBOOKS. 2ª edição, 1999. Pág.: 68.

MELLO, Evaldo Cabral de. O norte, o sul e a proibição do tráfico interprovincial de escravos; in: O Norte Agrário e o Império: 1871-1889. Rio de Janeiro: TOPBOOKS. 2ª edição, 1999.

A História da Devastação da Mata Atlântica Brasileira

DEAN, Warren. “A Ferro e Fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica Brasileira” Págs. 19 a 82. São Paulo: Cia. Das letras, [5ª reimpressão, 2004].

Edvaldo Batista de Sousa Filho

 

A Ferro e Fogo” foi a última obra que o grande historiador Warren Dean escreveu antes de falecer. Esta obra é um marco na historiografia brasileira, pois embora não tenha sido o primeiro livro de história ambiental sobre o Brasil, é inegável que pela grandiosidade da obra, que envolveu uma enorme pesquisa, e por sua abrangência de tema e período, este livro tornou-se leitura obrigatória para todos os historiadores e outros pesquisadores que se debruçam sobre os conhecimentos referentes à Mata Atlântica e sua relação com os ‘invasores humanos” que lá estiveram logo no inicio da ocupação e colonização das terras do Brasil. Dean apesar de ser um escritor estadunidense é considerado por muitos um brasilianista, este termo se refere ao aumento da produção acadêmica estrangeira sobre o Brasil no início do século XX. Os brasilianistas eram pesquisadores estrangeiros, em sua maioria americana, instalada no Brasil devidamente financiado e gradualmente mais bem preparado. Estes levantaram questões diversas e precisas a respeito do Brasil desde seu “descobrimento” até os dias atuais, o que os tornavam gradualmente passíveis de críticas.

Os primeiros capítulos do livro contam a história da Mata Atlântica, desde sua formação pré-histórica, passando pela migração de seres humanos (se referindo à chegada dos portugueses) e a colonização do Brasil, fazendo com isso a Mata Atlântica chegar apenas 10% de toda sua totalidade no final do século XX, mais precisamente em meados de 1990. Isso aponta a grande e constante destruição dessa Mata, gerando assim um grande problema ambiental que virá a ser discutido mais a frente, no decorrer da obra. Warren Dean deixa bem claro quando faz uma declaração em seu livro: “A história florestal, corretamente entendida é, em todo o planeta, uma história de exploração e destruição. O homem reduz o mundo natural à “paisagem[1]”. Com isso Warren afirma que os humanos não se importam com o que pode ocorrer devido aquela grande retirada de material dessa Mata, o que importa para eles é o desenvolvimento e a beleza estética (aquela que é construída) e não a beleza natural, eles tem a necessidade de moldar as coisas de acordo com sua vontade, ou seja, o homem desde o inicio da grande exploração e do desenvolvimento da sociedade, não tem nenhum pouco consciência ambiental. Isso até o século XX era bem frequente, como ainda é hoje em dia, mas já existem várias organizações que combatem a exploração exagerada de áreas verdes ou de qualquer outra forma de expressão natural, um grande exemplo disso é a Green Peace, que combate duramente a grande exploração e é defensora do natural. Essas práticas não ocorriam no século XX e anterior a ele, pois essas pessoas eram caracterizadas e chamadas de pessoas que eram contra o progresso da humanidade, o que era muito mal visto para época, hoje em dia o individuo já pode ser a favor do progresso e a favor da proteção das “áreas verdes”, como podemos observar nessa afirmação que o próprio autor faz: “Para o homem, a coexistência com a floresta tropical sempre foi problemática[2].

Bioma que percorre o litoral brasileiro do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, penetrando no sudeste brasileiro e chegando até Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, a Mata marcou cedo sua presença na história do Brasil, ao ser o primeiro ecossistema a sofrer o impacto da colonização portuguesa, que lá havia suas plantations, os pastos para os animais, e a grande e incansável busca por preciosidades, como por exemplo, ouro e prata. Contudo, a história da Mata Atlântica de Dean não se inicia com a chegada dos portugueses, como já foi citado, se inicia na pré-história. Dean descreve logo em seu primeiro capítulo a evolução da floresta narrando seu início há milhões de anos atrás. Uma curiosidade revelada por Dean é o fato de que o desequilíbrio ecológico neste bioma causado pela transformação que o ser humano exerceu nesse ambiente não foi uma consequência exclusiva da ação invasiva dos colonizadores europeus, e que mesmo em número muito menor, os imigrantes que vieram a dar origem às tribos indígenas que aqui viviam também influenciaram nesse grande impacto que houve na Mata Atlântica, devido ao desmatamento para construção de aldeias e moradias, e a muitas caças realizadas para sobrevivência naquele local, além da prática da agricultura.

“A base principal da agricultura tupi nas baixadas era a mandioca. O milho, rico em proteínas, que poderia impor-lhes maior dependência da agricultura, mas que também teria demandado mais nutrientes dos solos da floresta, era empregado apenas como matéria-prima alternativa no preparo de uma bebida fermentada que apreciavam muito” [3].

Outro fator dominante que vinham da ocupação dos primeiros povos que viriam dar origem as tribos indígenas, como por exemplo, a tupi citada acima, Warren diz o seguinte:

“Coletavam mais de uma centena de espécies de frutos da floresta. Sua exploração do peixe e marisco era intensiva e incluía a tainha, que desovava em grande quantidade nos riachos do litoral no meio do inverno, e pelo menos 23 outras espécies de peixe de água salgada, oito espécies de peixe de água doce, caranguejos, berbigões, camarão e peixe-boi. […] Caçavam veados, saguis, tartarugas, crocodilos, macacos, preguiças, caititus, cutias, tatus, capivaras, antas, pacas e lontras. […] enquanto suas crianças atacavam  ninhos de pássaros, caçavam ratos, lagartos, caranguejos de terra, caramujos e passarinhos e esquadrilhavam a mata em busca de larvas de insetos e mel”[4].

No entanto, é certo o que Warren afirma, que a Mata não estaria na situação reduzida dos dias atuais se ela não tivesse sido alvo do sistema capitalista agressivo que os portugueses trouxeram consigo da Europa ao atracar em nossas terras, território brasileiro. Em uma sociedade cuja cultura era regida por dinheiro e religião, era quase utopia abordar alguma ideia sobre a conservação de um bioma, fato que já foi citado acima. De fato, com a ciência ainda em desenvolvimento que existia na época da colonização de nossas terras, não havia como saber se aquela “matança” iria afetar maleficamente a sociedade e o mundo, ou seja, não sabiam da importância de conservar a biodiversidade. Por isso, não houve algum problema, por parte dos colonos, em derrubar as matas para implantar atividades monoculturas aqui no Brasil (inicialmente a cana-de-açúcar e depois, o café) e pecuária. Após séculos de exploração, quando o homem finalmente se deu conta do tamanho erro que tinha cometido, o estrago já havia sido feito e já estava em quadro praticamente irreversível, pois em meados dos anos de 1990 existiam apenas 10% da totalidade da Mata Atlântica em território brasileiro, devido a grande e desenfreada exploração desse ambiente.

Os europeus quando vieram para terras brasileiras Warren os caracteriza como “A Segunda Levada de Invasores Humanos”, esse é o título do terceiro capitulo do livro. Eles são tratados como invasores pelo fato de não serem “bem-vindos” aqui, devido a grande exploração que fizeram em nosso continente e das formas que utilizou para conseguir seus objetivos, ou seja, eles não eram bem quistos pelos “primeiros invasores” que aqui já viviam no caso os indígenas e alguns dos seus ancestrais.

“Um dos primeiros atos dos marinheiros portugueses que, a 22 de abril de 1500, alcançaram a costa sobrecarregada de floresta do continente sul-americano nos 17 graus de latitude sul, foi derrubar uma árvore. Do tranco desse sacrifico ao machado de aço, confeccionaram uma cruz rústica, para eles, o símbolo da salvação, durante a qual, para satisfação dos portugueses, os indígenas ali não imitassem suas expressões devotas” [5].

Essa é a afirmação com quem Dean inicia o terceiro capitulo, mostrando que eles já vieram justamente para desenvolver nossa terra. Quando ele cita que derrubaram uma árvore e logo em seguida cita o machado de aço, mostra claramente que ele quer contrastar a cultura indígena sul-americana com a europeia, pois os habitantes que aqui viviam não conheciam a cultura do aço, nem sabiam como o manejar. Aqui ainda era tudo muito arcaico, a base de madeira e pedras com corte, estas que eram praticamente ineficientes se comparadas com o aço dos europeus. Os portugueses, como já foram citados, tentavam desbravar nossas terras em busca de materiais preciosos, como ouro e prata, para cada vez mais enriquecer seu reino europeu.

A Mata Atlântica protagoniza aquele que pode ter sido o nosso maior erro ambiental durante a nossa história. A Ferro e Fogo é um livro que conta a história dos “vencidos”, ou seja, aqueles que eram e são defensores da Mata Atlântica, pois não temos mais como recuperá-la em sua totalidade, afinal com o desmatamento desequilibrado muitas espécies de plantas, árvores e até mesmo animais foram entrando em processo de extinção até chegar nesse ponto. Em entrevista concedida posteriormente a publicação do livro, Warren disse: “O último serviço que a Mata Atlântica pode prestar, de modo trágico e desesperado, é demonstrar todas as terríveis consequências da destruição de seu imenso vizinho do oeste: a Amazônia”. Isso de fato infelizmente é a pura e dura verdade que teremos que encarar para o resto de nossas vidas e gerações de famílias, afinal nossos antepassados propiciaram esse terrível acontecimento, que foi a destruição quase que completa da belíssima e diversificada Mata Atlântica.

[1]Warren Dean, A Ferro e Fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica Brasileira. São Paulo: Cia.

Das letras, 2004, págs.  23 e 24.

[2] Warren Dean, A Ferro e Fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica Brasileira. São Paulo: Cia.

Das letras, 2004, pág. 24.

[3] Warren Dean, A Ferro e Fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica Brasileira. São Paulo: Cia.

Das letras, 2004, pág. 48

[4] Warren Dean, A Ferro e Fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica Brasileira. São Paulo: Cia.

Das letras, 2004, págs. 48 e 49.

[5] Warren Dean, A Ferro e Fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica Brasileira. São Paulo: Cia.

Das letras, 2004, pág. 59

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 338 outros seguidores